segunda-feira, 28 de junho de 2010

Parte 2

Olá! Como prometido, posto aqui a parte 2 hoje. Mas digo logo: aqueles que não gostam de literatura fantástica não vão gostar muito do que está por vir nesta história.

Minha nova short story tá ficando legal! VAi ficar gigantescaaaaa e demorará alguns meses pra ficar pronta, mas tenho certeza que vai ficar muito boa. Só adianto que será uma história totalmente diferente desta aqui. Estou ansioso para ver o resultado! =P

Até mais, abraços!


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PARTE 2

Ele parou de supetão, e estranhou aquele ser ali no chão. Nunca havia visto algo assim, e pôs-se a analisar mais de perto tal criatura.

A pele era macia, rosada, a face expressava certa angústia, os cabelos eram da cor do sol. Estava ficando tarde, e o lugar onde estava não era o mais seguro após os últimos raios de sol deixarem de iluminar o solo. Por causa disso, resolveu ir embora.

Mas, quando estava quase deixando o lugar, algo não o permitiu. Em algum ponto dentro de sua mente, sua consciência dizia que não deveria deixar aquela miserável criatura ao relento, ou então não sobraria nada dela pela manhã. Então, com sua força sobre-humana, levantou-a como se fosse uma folha que havia caído de uma árvore, colocou-a em seu ombro e a levou para aquilo que chamaríamos de “casa”.

No caminho, via as estrelas cadentes cortarem o céu inúmeras vezes, como o de costume. “Como é lindo”, pensou. Ultimamente vinha olhando o céu constantemente, já que o período de alinhamento das três luas estava para acontecer dentro de poucos dias. Adorava a natureza e o universo, e passava horas a fio a admirá-los, filosofando sobre cada ponto a brilhar naquela imensidão sem fim. Com sua sensibilidade, sentia até mesmo a poeira cósmica banhar-lhe o corpo, que era de uma cor esverdeada, sem exageros em relação aos músculos, apesar de sua enorme força.

Estava no meio do caminho. A criatura ainda não havia demonstrado nenhum sinal de vida. Começou a imaginar se aquela, aquilo, seja lá o que for, era feroz, dócil, se falava, se poderia entendê-lo caso quisesse se comunicar. Nunca havia visto nada igual, e milhares de pensamentos vagavam em sua cabeça. Queria saber milhões de coisas, principalmente como aquele ser havia conseguido chegar ali.

Finalmente chegou onde queria. Acomodou seu hóspede de maneira cautelosa, e quando teve total certeza que ela já não corria risco algum, saiu em busca de alimentos.

A noite foi passando.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

(des)encontros

“Ah, a vida!”.
Encostada em uma árvore num campo meio aberto, uma pequena garota de cabelos loiros a deslizarem sobre seus ombros, como numa dança ao som do mais belo riso dos ventos, estava a pensar. Seu rosto tinha uma expressão nostálgica, e seus olhos azuis brilhavam em vermelho, da cor do céu de mais um pôr-do-sol.
Ali, a imaginar o dia mais feliz de sua vida, o dia em que sonhava poder finalmente abraçar a quem a esperava, e então nos braços dele poder dizer tudo o que sentia, o quanto rezou para aquele dia chegar, o quanto queria que aquele momento fosse eterno. Fazia planos, inventava mil maneiras diferentes de surpreendê-lo quando o dia chegasse. Queria enfim, parar de apenas sonhar com momentos como aquele e vivê-los um por um, em todos os detalhes.
Mas não podia mais. A vida lhe tinha sido má, e não cansava de lhe pregar peças. Agora só teria consigo as lembranças de algo que nunca aconteceu. Não mais teria a chance prometida, não mais conseguiria cumprir suas promessas e juras apaixonadas. A idéia do “pra sempre” então havia acabado.
Como esquecer as palavras doces e singelas? Como enterrar um sentimento que lhe fazia arder por dentro, que a fazia sentir-se diferente, única?
Como aceitar a idéia terrível do fim?
Quando recebeu a derradeira notícia: “Ele já não está mais entre nós”, não conseguiu se mover por uns instantes. Atônita, pegou todas as cartas recebidas, todos os presentes e fotos, e saiu pela porta de sua casa, sem nem mesmo saber para onde ir.
Caminhou por horas e horas, quando no fim da tarde encontrou este bosque de beleza inimaginável no qual se encontrava desde sabe-se lá quanto tempo. A brisa acariciava seu rosto triste. As folhas caíam ao chão para lhe fazer companhia em meio a flores que se prestavam a consolar a pequena menina, de cabelos agora alaranjados graças ao Sol que descia para dar lugar à noite. Sentou-se próximo a uma grande árvore. Via o rosto dele em todas as nuvens que olhava.
E então chorou. Gritou, levantou-se e correu. Depois de um tempo, cansada, deixou-se cair por entre as flores. Suas lágrimas quentes percorriam seu rosto. O céu, companheiro, chorou juntamente com ela. A chuva se misturava com suas lágrimas, e então chorou mais e mais. Não entendia por que aquilo estava acontecendo com ela, por que estava sendo privada daquela felicidade, e o que enfim ela faria dali para frente.
A chuva aumentou.
A tristeza e a dor se juntaram, viraram ódio.
Agora, suas mãos sujas de barro arrancavam as flores que estavam ao seu lado com ferocidade. Gritava, urrava que nada mais merecia a vida, nada mais merecia ficar de pé. Desesperada e apavorada, via raios e trovões cortarem o céu profundamente e caírem por algum lugar próximo. De seus braços, o sangue brotava, graças aos espinhos das flores que ela continuava a arrancar.
Sua face agora era de uma expressão amarga, insana. Era capaz de qualquer coisa naquele momento, havia deixado seus pensamentos e sentimentos destruidores tomarem conta. Já não sentia dor, tristeza, medo.
Gritou com a alma o mais alto que pôde tudo o que já havia pensado em fazer antes. Tateando seu bolso, sabia de algum modo que aquele objeto que havia levado com ela lhe serviria para algo.
Já não chorava mais.
Com um sorriso estranho no rosto, pegou o que sobrou de si e caminhou. Andou até aquela mesma árvore onde havia assistido ao crepúsculo. Ela estava em chamas! Um dos raios a havia acertado.
Seus olhos brilharam novamente.
“Já estou indo, meu amor”.
Foi quando cravou seu destino em seu coração. Num último instante, pôs-se a pensar, e pensar, e imaginar.
E sorriu seu último sorriso.
E derramou sua ultima lágrima.
E caiu ao chão sua última gota de sangue.
Rosas vivas, banhadas num tom vermelho-escarlate.
Um funeral perfeito.



Ah, a vida.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Parte 1

Estava sentada na grama, lendo “A morte de Ivan Ilich”. Fazia um frio que cortava a pele do seu rosto delicado. Ela fechou os olhos por um instante, sentiu o sol esquentar um pouquinho. Foi quando ouviu um sussurro. Olhou para trás e viu pessoas andando, mas muito longe dela. Teve sensação de dejavu. Sentiu um arrepio. Deixou pra lá e voltou ao livro:
“Eu não existirei mais, e o que existirá então? Não existirá nada. Onde estarei então, quando não existir mais? Será realmente a morte? Não, não quero.”
Lembrou as palavras da última aula de literatura: “toda busca pela vida termina em traição”. Encostou a cabeça na árvore e pensou no que será que faltava pra completar o vazio quer sentia. Ao mesmo tempo, tinha medo de descobrir, medo da frustração. Porque sonhava muito e todos dizem que quem sonha muito, se decepciona mais. Resolveu não pensar nisso.
Como estava escurecendo, achou melhor levantar e ir pra casa. Esfriava mais. Arrumou suas coisas, pôs a mochila nas costas, mas levou o livro na mão. Andava pulando os galhos no caminho, e ouvindo o barulho de pisar nas pedras. Ria, sem nem perceber se havia gente por perto, e ia cantarolando uma música em pensamento.
Andou, andou, andou até que se deu conta que estava perdida. Onde estaria afinal? Costumava andar naquele parque desde criança, mas não conseguiu se lembrar de já ter passado neste lugar alguma vez. Eram muitas árvores, à esquerda e à direita. Estava sozinha e conseguia ouvir sua própria respiração, em meio a um silêncio medonho. Já estava escuro, ela mordeu o lábio de apreensão. Pensou: “não é possível, sempre vim aqui, só não estou lembrando o caminho.” Mas, quando deu meia volta, havia tantas árvores e mato que era como se não tivesse passado por ali há poucos instantes. “Como isso?”. O jeito foi dar meia volta de novo e andar.
Porém, estava ficando cansada e com frio. Seus olhos lacrimejavam e a ponta de seu nariz ficou vermelha. Aquele caminho parecia sem fim... Olhou para o céu, viu muitas estrelas, como as estrelas de Bandeira, tão frias e inatingíveis...
Ansiosa, só conseguia pensar em chegar em casa e começou a se preocupar. Seus pés doeram e subitamente sentou ali mesmo, no meio do nada, no escuro. Ninguém por perto, aquele silêncio. Deu um desespero! Colocou as mãos no rosto, em forma de concha e chorou.
De repente, ouviu passos rápidos. Seu coração disparou e a respiração ficou ofegante. Olhou pros lados sem parar. Os passos ficavam mais altos, algo ou alguém chegava mais perto. Abraçou as pernas, encolhendo-se. Quando os passos já estavam muito próximos, levantou. O livro caiu de suas mãos e sentiu desmaiar. Ela o tinha visto.

A história sem título

Olá,

A partir de hoje, começo a postar uma história que estava escrevendo com uma amiga minha. Ela ainda não tem fim, mas espero terminá-la brevemente.

Espero que gostem!

Abraços,

Ale^^