domingo, 11 de julho de 2010

Contratempos / Parte 3

Olá pessoal!
Perdoem meu sumiço, estou com alguns contratempos, mas não vão durar muito mais. Logo retornarei ao meu projeto - a nova short story - para, quem sabe, postá-la aqui. =]

Por enquanto é isso, segue aqui a parte 3 da short story de literatura fantástica.

Abraços!

Alê^^

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Quando amanheceu, ela acordou. Estava num lugar escuro, em que se ouvia o barulho de água correndo. Ela tateou o chão e seguiu um raio de sol que levaria para alguma saída. Quando a luz foi ficando mais forte, quase caiu. A saída dava pro alto de uma montanha e lá embaixo havia um rio. As coisas estavam cada vez mais estranhas, nenhum humano conseguiria subir ali sozinho. Mas o lugar era lindo e ela não parava de olhar aquela paisagem, até que ele apareceu na sua frente, escalando a montanha.
-AH!- ela tentou gritar, mas estranhamente não saiu som nenhum.
Ele fez um gesto com as mãos, pedindo calma e chegou mais perto, mas ela se afastava, engatinhando de costas no chão, até que encostou numa parede. Ele se aproximou com muita cautela, pois ainda não era possível enxergar muito bem. De repente, ela conseguiu ver os olhos dele. Era um olhar penetrante e emotivo. Ele esticou a mão, queria levá-la para outro lugar, ela continuou receosa. Então, eles continuaram se olhando, até que ela se acalmou. Ele a pegou no colo com cuidado e desceu a montanha em segundos. Quando eles pisaram no chão, ela se afastou e olhou pra ele, na luz. Ele parecia humano, e como a poeira cósmica já tinha saído do seu corpo, tinha cor de humano também. Só que ele era muito forte, rápido e ágil pra ser um humano. Ele também observou, achou que ela era muito frágil.
Ela tentou falar de novo e nada. Ele a pegou pela mão e a levou para um lugar perto, que parecia uma gruta. No caminho, ela não conseguiu prestar atenção em nada, estava muito confusa. Ele a fez parar, fez sinal que esperasse e fechou os olhos. Um ser muito parecido com ele, porém bem baixo e aparentemente bem mais velho chegou naquele local. O velho olhou para ela e curiosamente na mesma língua, falou pausadamente:
- Ela é um ser humano.
- ISTO É UM SER HUMANO?
- Sim. E é “ela”, não “isto”, nem “ele”.
- Então ela está....
- Exato. Não pode falar, mas pode ouvir.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Entrelinhas

Apresse-se, seu gosto não ficará em mim por muito tempo...
Nem sempre aquilo que quer é aquilo que vai ter.
E sabe por que?
Porque a injustiça mora em você, e sendo assim, nada mais justo que o injusto a ti.
Nada mais certo que a incerteza. Nada mais excitante que o tédio.
Você está morto em vida, como não pode ver?
Quantas vezes tentou se enganar ao ver o reflexo no espelho entregando um alguém que luta arduamente pra se manter de pé?
Por que insiste em continuar?
Qual sua meta? Até onde quer chegar? Será que vale todo esse esforço?
Fique em sua poltrona confortável vendo a vida passar e esperando a morte chegar, já dizia um sábio cantor.
A vida é muito mais que esse quarto cinza no qual você se encontra toda vez que se perde e se prende em si.
Enjaulado em seus pensamentos, não vê como o azul desse céu é tão diferente de qualquer outro, não enxerga a imensidão de todo o momento que poderia estar vivendo, em um lugar em que o Sol brilha soberano, e esquilos correm por todos os lados de forma desorganizada e natural.
Apresse-se, seu tempo está pra acabar. Logo logo, não fará mais parte daqui.
Já não verá as árvores laranja-vermelho-marrom-outono, muito menos o branco-inverno que te arrepia quando você o toca, o vê, o sente.
Há muito mais numa nuvem que em seus olhos vazios.
Seu tempo está acabando, o que vai fazer?
Vai ficar aí parado enquanto a vida passa por você,ou começará a agir se fazendo presente aos momentos que clamam serem vividos como se fossem únicos?
Em algum lugar em ti, tens a certeza de que realmente seriam únicos os momentos ali vividos, e que nada levaria de lá além das lembranças.
Mas do que você consegue se lembrar agora? O que sente ao ver que muito se foi e pouco se guardou?
Quantos muros ainda consegue derrubar sem que pra isso tenha que parar em frente a cada um deles e derramar litros e litros de angústia e desespero?
Por que faz de tudo, algo assim tão complicado?
Perguntas, perguntas, perguntas..
Por que você não olha pra si mesmo e vê esse tão conturbado estado de espírito desvanecer aos poucos, juntamente com seu brilho e sua fraca percepção do que é vida?


Quer saber?

Cale-se.


Ninguém mais vai me dizer o que sentir.