quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Parte 7

O lugar em que as Lakshmádyar viviam se modificava aos olhos dos diferentes seres, cada um via o lugar inconscientemente da forma que quisesse. Sendo assim, quando desmontaram os unicórnios, Tisaro explicou à Luna que tomasse cuidado com o que pensasse e sentisse, pois poderia influenciar na ‘miragem’ e no comportamento das feiticeiras, que eram capazes de ler pensamentos.
    Três figuras apareceram na frente dos visitantes. Lakyah, Kíryah e Ranyah. Os olhos de Luna viram três mulheres altas, de cabelos pretos longos e trançados, de olhares profundos e misteriosos, de cores diferentes em cada uma e com um perfume doce. Kyriah, de olhos vermelhos, disse lentamente:
    -Tisaro.. sua visita aqui só poderia mesmo ser por um motivo grande como este. Você nos trouxe uma humana...
    -Sim - ele respondeu - e ela não pode falar. Vim porque sei que podem me ajudar.
    -As Lakshmádyar não negam ajuda a nenhum ser de Livano.
    As três rodeavam a menina vagarosamente.
    -Sei que isso é verdade. Mas sei também que vocês têm seu preço.
    -Preço, não. Forma de agradecimento seria mais justo, já que estamos ajudando vocês, seres inferiores da dimensão.
Tisaro não expressava sentimentos, ele sabia controlar quase todos. Ranyah, de olhos verdes, tomou a palavra, com uma voz mais aguda e suave:
    -Você precisará agir rápido se quiser levá-la de volta à sua casa. Nós prevemos há 100 anos atrás que ela viria. O período de três luas é o seu prazo. Se você não conseguir, ela ficará aqui até o término do oxigênio, que lhe é um gás vital, e sufocará cheia de mágoa no coração por você.
    Lakyah, de olhos azuis, sussurrou no ouvido de Tisaro com a voz mais encantadora que seria possível escutar:
    -E você é um elfo da legião dos Noldyar. Não pode deixar que um humano morra com mágoa no coração por você... sua imortalidade corre perigo.
    Tisaro pensou antes de dizer qualquer palavra. Não havia outro ser que previsse o futuro em Livano e desconfiar delas não era apropriado, dada a falta de opções que tinham. As feiticeiras eram seres poderosos, porém muito sensíveis. Não gostavam de se sentir desafiadas ou menosprezadas e retribuíam tudo, tanto coisas boas quanto ruins.
Ele disse:
    -O que devo fazer?
    -Você escolherá por onde ir, mas deve chegar ao reino dos Viyanum, os anjos.  Eles a levarão de volta. Porém, vocês encontrarão: ‘ a papisa’, ‘o mago’, ‘o eremita’ e ‘os enamorados’- disse Kiryah.
Tisaro já sabia que elas utilizavam metáforas e que não adiantaria perguntar as respostas. Até porque, o tempo era curto.
    -Vá - disse Ranyah - você nos recompensará no futuro.
Eles montaram novamente os unicórnios e voltaram para “casa”, já tinha anoitecido e não valia a pena correr perigos de noite, além dos que correriam de dia, porque havia muito féu nos seres noturnos.