sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Dê lírios

(Ela me olha?)
Petrifico-me. Não consigo me mover, desviar de seus ataques. Indefeso, inerte. Tudo isso apenas ao te ver. Estonteante, você vem. Começo a tremer. Vai me matar ou me trazer a vida? Sinto seu perfume cada vez mais forte, a entorpecer meus pensamentos e tirar-me do corpo. Mas você já foi. E nem sei mais onde estou, ou quem sou. Se passar por aqui de novo, por favor, deixe minha sanidade em cima da mesa e eu a pego assim que acordar.

 
(Ou sou eu que olho?)
Sinto-me hipnotizado ao tentar desemaranhar tamanho mistério que seus olhos passam. São como labirinto, no qual me perco com extrema facilidade — ruas e mais ruas sem saída. Caminho, então, em busca de algo que me faça te entender, na esperança de encontrar qualquer detalhe que exponha as brechas em sua armadura. Quem sabe, ao achar seu ponto fraco, consigo por fim te decifrar um pouco mais.

 
(Se ela sequer olhos tem.)
As pessoas dizem que eu devo parar de sonhar acordado, de falar sozinho, de imaginar coisas. Dizem que eu devia procurar um profissional e que eu ainda posso me recuperar.

Tolos. 

Não percebem o mal que isso poderia me fazer e o que isso implicaria para mim. Afinal, se eu parar de pensar em você, meu amor...


 

...você não vai mais existir.
 





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