segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Ode à Moleira, Taís. (Farewell, my friend!)


Hoje eu dou adeus à minha irmãzinha. Ela vai pra bem longe, lá pra onde os sonhos viram realidade. Talvez eu nunca mais a veja.



Sinto-me dividido. Triste, por não ter mais por perto alguém tão incrível, tão brilhante, tão cheio de vida e de sonhos. Por não ter minha confidente, minha companheira, a menina que teimava em viver praticamente as mesmas coisas que eu. Contudo, jamais me senti tão alegre por vê-la assim: temerosa, porém radiante! 

Pronta para o que está por vir, levando a calma de sempre e a cautela de outrora. E já a imagino caminhando pelos campos verdes e pelas ruas magníficas de onde agora vai morar, e já me enciúmo com seu mais novo melhor amigo.

Oras, também tenho ciúmes, ué.

Mas sei que ela vai se dar bem. E sei que não vai parar por ali. Tão pequenina e com sonhos tão gigantes. E intensos. E mágicos. E emocionantes. Vai sim, vai se dar bem. Quando esse frio na barriga passar, você vai estar de boa, curtindo o novo ar que te rodeia e contemplando a nova vida que se apresenta bem à sua frente. E então, corra para ela! Você a construiu, você a merece!

(Desculpa, não vou conseguir conter o choro).

Eu vou sentir tua falta, pequena.  Não vou esconder isso de ninguém. Choro mesmo, sou meio fraco pra essas coisas de dar tchau a quem se gosta. ^^ Mas ó, você me conhece. Eu vou ficar bem, e torcendo cada vez mais por você. E mais, e mais... Sempre! A cumplicidade que criamos não vai se perder, nem essa minha vontade de querer cuidar de você, de te dar broncas, de te aconselhar, de ouvir seus conselhos, de rirmos juntos.

Como já sabe: precisando, estarei aqui! Basta gritar que eu tento te ajudar de alguma forma. Como nos tempos da facul, “é nóis”, sempreeee!

Agora vai lá e realize seus sonhos. Tô na primeira fila, pra ver tudo de perto e ser o primeiro a levantar pra aplaudir.

Por fim, citando a mim mesmo, amizade é um misto de doçura e loucura que, de fato, adoro sentir! =)



Tonight, the stars shine only to you.


Com todo o amor do mundo,

Alêénóis.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Ø


Os pedaços de papel no chão dessa cidade imunda ainda são pouco para que eu (d)escreva o que agora sinto. É como se nada conseguisse traduzir toda a lava que minha mente em erupção cospe. É possível ver a névoa na qual me encontro em toda minha angústia a quilômetros de distância.

Venho procurando maneiras de curar minhas asas que já não fazem nem minha imaginação voar. É como se precisasse renascer para trazer nova cor ao cinza dos meus olhos, por mais que seja apenas o reflexo desse céu que insiste em chorar e esfriar minhas já escassas tentativas de manter aquecida a esperança.

Enquanto isso, perambulo ladeira abaixo. Pessoas vêm e vão. Esbarram em mim — sou invisível. Mas nem me dou ao trabalho de me revoltar. Elas não vão voltar, nem se virar, nem se desculpar. Xingam baixinho e seguem, cegos.

Os pensamentos insistem em não levantar voo e, tentando êxito, tropeço. Caio. Estilhaço-me. Coração em mãos: não posso perder nenhum pedaço meu! Tateio as proximidades e recolho o que de mim não foi levado pelas lágrimas ácidas que caem das nuvens. Névoa à minha volta, por toda parte.  Não acho mais nada, e me perco.

Mas toda essa lamúria só será mais um pedaço de papel na rua. Mais um pensamento sem-teto para que cegos esbarrem, chutem, desapercebam. O vulcão já adormece, cansado de destruir o que me contorna, tornando temerosa minha presença. Irônico pensar nisso, quando me vejo indefeso e incapaz de machucar a mim mesmo. A não ser por palavras.

Ah, as palavras. Elas, só elas, me levam ao céu.



Cinza. Como os olhos. Como o dia. 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Just forget the world




"As coisas aconteceram rápidas demais. Agora estou sem saber por onde ir, nem o que fazer. Devo ficar parado e esperar, ou devo correr o mais rápido que posso? Se correr, onde vou chegar? Se ficar, o que dizer?”

A pressão parecia dissipar todas as ideias racionais de Alexandre, que mais queria fugir que ficar. Ao mesmo tempo, sabia de seus deveres, suas responsabilidades. Era como se quisesse ir embora para lavar a alma, mas voltar para encarar a vida de frente. Buscava como louco uma solução para conciliar seus sonhos com sua realidade, mas já se via com poucas opções.

Observava sua cidade de longe, sentado numa pedra no topo de um pequeno monte. Gostava dali, pois era o lugar onde ninguém jamais pensava em procurá-lo. Sempre que ia lá, ficava sentado por horas, apenas clareando a mente e se encontrando consigo mesmo para colocar os sentimentos em dia.



A natureza do lugar também o fazia bem. A ideia de ver a cidade longe lhe trazia calma, pois se sentia fora daquele vaivém constante de pessoas irritadas em faróis, carros, metrôs, ônibus, calçadas. Não importava a idade ou ocupação: todos, sem exceção, corriam para não perder a hora, mas perdiam horas correndo da vida. Pensava ele que isso acontecia por medo de encará-la, de não saber vivê-la, ou mesmo de não suportá-la.

Mas Alexandre não era diferente. Por isso estava ali, tomando um ar para voltar à poluição.
“Talvez se eu escrever sobre isso, essa loucura passe um pouco...”

E assim ele usava a escrita: como mais uma de suas válvulas de escape, seu ponto alto. O papel se fazia de refúgio e também ali ele sentia que ninguém poderia encontrá-lo enquanto estivesse submerso em sua inspiração. Naquele dia, vomitou todas as palavras engasgadas em seu âmago. Escreveu até doer o pulso, e depois continuou escrevendo. Havia muito a ser falado e tão pouco já havia sido dito.

Mas rasgou o que escreveu depois.

Estava aliviado, era como se tivesse contado seus mais guardados segredos a alguém, com a certeza que esse alguém jamais falaria nada a ninguém. Pegou os pedaços de papel e os soltou ao ar. Dançaram monte abaixo, sem destino certo. O vento se encarregaria de levá-los onde quer que devessem chegar.

“Acho que é hora de eu descer também.”

Então, baniu de si o restante de sentimentos o que lhe importunava e jurou em todas as línguas que conhecia que acreditaria sempre em si mesmo. E aquilo deveria bastar.

“Precisa bastar. Não há outra opção”.

Levantou-se, encheu seus pulmões com o ar do alto daquele monte e iniciou sua jornada de volta. Sentia-se pronto, mais uma vez, para seguir em frente. Mas antes olhou pra trás, fez seu rotineiro gesto de agradecimento e seguiu.


Sabia que voltaria lá mais inúmeras vezes para recuperar o fôlego, mas não ligava. Naquele momento se sentia preparado e, de certo, já havia recuperado o que lá foi buscar:


A força necessária para poder continuar.

sábado, 4 de maio de 2013

Fragmentos


Desiludo-me com a realidade estática, e tento voltar às realidades ilusórias que, por mentiras, me fazem sorrir. Afinal, é mais fascinante perder o controle da mente a ter uma mente controlada.
Só mais uma vez; é tudo o que preciso. Experimentar a fuga para a paz. Fugir do corpo num só copo, fugir da vida num comprimido só.
Sorrir.
Se a sensação passar, que eu consiga ao menos lembrar.
E se eu pudesse prolongar? Fugir de vez, só pra me encontrar! Se eu tomar uma mão cheia de coloridos, acho que vai bastar.
Psicodelia colorida em vez de um céu cinza.
Me despeço daquilo que o mundo me fez.


Preciso de um fim.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

À Procura (Parte 3)

[Não leu as partes anteriores? Clique aqui para ler a parte 1 e aqui para ler a parte 2. =)]



- Alô, Aline?
- Ah... Oi Sara.
- Tá tudo bem? Você vem trabalhar hoje? Já são 9 e meia e a minha parte do relatório já tá pronta. Só falta você terminar a sua parte e a gente já entr...
- Esquece isso! Preciso muito que você venha agora aqui.
- Agora? Mas, o que foi? O que aconteceu?
- Te explico depois. Por favor, pede algumas horas aí no serviço, eu tô precisando muito de alguém agora. Se eu ficar sozinha mais 10 minutos não sei o que sou capaz de fazer.
- Tá bom, tá bom! Vou avisar o chefe que você não tá bem e já tô saindo. Não faça nenhuma besteira! Tô aí daqui a pouco!

Desligo o telefone e começo a surtar. Afinal, eu só posso estar ficando louca! Ele logo vai chegar, com uma boa desculpa e já com ideias de onde iremos jantar à noite, ou falando sobre o que precisa fazer primeiro quando chegar ao trabalho. Sim, ele logo vai chegar. Ele logo vai chegar.

Ele logo vai chegar.

Por que ele não chega? Por que? Por que?

E se não voltar mais? E se me deixou aqui sozinha? 

Sozinha. Sozinha.

Minhas margaridas estão morrendo. Mas, de plantas, cuido depois.

- AONDE É QUE VOCÊ PODE ESTAR?

Alguém bate à porta. Abro rapidamente, e a Sara entra. Dar pra ver na cara dela que está meio chocada. Eu realmente devo estar parecendo louca. E sabe o que acabei de perceber?

"Daqui a pouco" é tempo nenhum quando você não está em casa.



---//--

Finalmente achei um lugar aberto para me reabastecer. A comida é barata e a água é gelada. Fazia horas que não comia nem bebia nada.

Devia ter me preparado melhor pra isso.

(Continua)