terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Nixplosion


(dá o play e depois comece a ler!)

 


Sentada na areia, esperando o Sol nascer, sinto como se o vento chamasse o encaracolar dos meus cabelos para dançar --- uma brisa suave e envolvente, que percorre meu corpo, tocando-me por completo e me arrancando sorrisos bobos.

Pequenos sopros do mundo que ziguezagueiam por entre meus dedos, trazendo com eles lembranças de momentos anteriores que me punha a dançar por mim mesma, apenas envolta nos sons e melodias que visitavam meus ouvidos.

Os primeiros raios de sol, então, dão o ar da graça num espetáculo quase psicodélico (assim eu o via através de minhas lentes, a partir do que traduzia a minha mente), dando cores ao que antes era só noite e estrelas. Em mim, amanhece também um sentimento em erupção, que cospe coração afora essa vontade viva de continuar aqui, existindo e experenciando o que esse mundo tem a oferecer. 

Sem perceber, cada poro de mim se faz vulcão e transpiro euforia e excitação; começo a tremer, me sinto arrepiar --- o sorriso agora, pelo que parece, veio pra ficar.

A Estrela Maior, imponente, se faz enfim visível ao horizonte, me desafiando a ir de encontro a ela. Sem pensar (uma explosão em mim!), levanto- me e corro em sua direção, vencendo cada onda que o oceano joga contra mim, até que o fôlego se esvai e me vejo jogada de volta ao raso. 

Mas de raso, daqui pra frente, só o da praia. Don't blame me, senhor Sol, por alimentar em mim esse furor incandescente de querer sempre mais de tudo, até do que ainda não me rodeia.

Até mais ver. Muito, muito em breve.




sábado, 27 de setembro de 2025

In a Loop

(ouça enquanto lê)


Tem algo em mim querendo gritar. Algo que quer emergir e transbordar inconsequentemente, incontrolavelmente.

É como se já não houvesse como segurar isso em mim. Parece estar se debatendo, como em uma camisa de força, buscando libertar-se a todo custo.

Algo que eu não queria que saísse. Que não fosse mostrado ao mundo.

Mas a superfície de mim mesmo já está se quebrando, estilhaçando. Não demorará muito agora.

E esse sentimento, como uma erupção, começa a soltar-se ferozmente dentro de mim. Acha caminhos, atalhos. Veias viram vias em que ele transita junto com meu sangue, que efervesce e se agita, acelerando meu coração. A respiração, aflita, se compadece.

O corpo sofre por ele mesmo.

Perco o controle até mesmo da máquina humana.

Estremeço, arrepio, enrubesço. Não consigo me manter em pé, e caio de joelhos.

Enfim, o sentimento acha uma saída, pegando carona com uma ínfima lágrima, que se demora em minha íris, encarando-me frente a frente, e então rola rosto abaixo, resvalando em meus lábios antes mesmo de ir ao chão, deixando seu sabor salgado se misturar ao amargor do momento.

Dali, um sem-número de outras lágrimas tão iguais àquela fazem nascente em mim, enquanto a foz varia entre minhas mãos, soluços e palavras entrecortadas, quase mudas.

E choro.

Muito.

Por um tempo que não sei precisar.

.

.

.

Parece que elas acabaram.

Alívio. Calma.

Silêncio.

É a deixa para me colocar de pé de novo. Bater o pó da roupa, olhar ao redor e seguir — ainda que para um rumo cujo destino desconheço.

Let's start again.



terça-feira, 16 de julho de 2024

)Entre Parênteses(


Lendo as linhas do texto que conta a história dos meus dias, deparo-me com um sem-número de incompletudes, frases abertas, ideias fragmentadas.

Parênteses abertos que dão vazão a interpretações que se perdem no tempo e espaço --- o que pode caber entre parênteses? Uma frase? Uma ideia?

... Uma vida?

Cá entre nós, muito entre aspas, abro parênteses por todo caminho que trilho, e já não sei onde começa uma frase e onde se inicia outra e a falta de pontuação me faz ficar sem fôlego ao ler e clamo enlouquecidamente por uma vírgula que possa enfim me permitir inalar o ar que me envolve ainda que pesado e frio mas necessário para me manter vivo e me pergunto já sem aguentar se um dia vou encontrar meu ponto final.

Meus caminhos tortuosos copiados a lápis sobre o papel, como se assim, ao apagá-los, eu pudesse reescrever o passado. Tolo de mim, que ainda não entendi as lições de outrora e me vejo obrigado a repeti-las, numa tentativa desesperada de vencer os fantasmas de ontem que vivem em mim.

Meu destino incerto não me permite a segurança de fechar um ciclo.

Não consigo fechar um parêntese sequer, e é um tanto estar entre vírgulas que me vejo um aposto de mim mesmo, esmiuçando o óbvio a todo momento.

Meu dia a dia é um vis a vis num reflexo infinito no espelho.

Solidão? Reflexão?

(Me perdi do meu início e é tarde demais para

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Lar.

(trilha sonora)

Falta de ar, batimentos acelerados.

Vai começar de novo.

---//---

As ruas dessa cidade são convidativas pela noite. Gente lá e cá, um ar fresco e calmo, um ir e vir de carros e pessoas. Tudo parece muito bem orquestrado.

Sento no banco de uma das praças, aquele meu preferido. Acima, estrelas tímidas e escondidas pelas luzes artificiais que vêm dos postes e edifícios. Ao meu lado, casais e grupos conversando, rindo e vivendo. Sentindo.

Respiro fundo --- um suspiro. Sinto o ar povoando cada avenida do meu corpo, indo visitar cada órgão, mas sempre que chega no coração acha a casa vazia, e volta.

Meus pensamentos ficam confusos. Será que tem alguém lá trancado? Eu simplesmente já não sei abrir o que sinto aos outros e me escondo num cantinho? Ou está vazia, e como aquelas casas abandonadas, todos temem chegar perto?

Mas eu lembro de alguém morando lá. Sim, costumava estar sempre bem iluminado, de janelas com flores e batimentos sadios, esse coração. Eu regava cada plantinha --- uma para cada letra do seu nome --- e as via crescer, feliz.

Porém, quando quis mostrar você aos outros, eles te fizeram murchar. Minhas tão amadas plantinhas. Minha visita preferida.

Então você se foi, e eu tranquei essa porta. Todo aquele julgamento sobre quem eu permito entrar no meu coração me fez esquecer onde eu guardei essa chave. E foi aí (agora me lembro!) que começaram os terremotos nesse meu tão amado lar.

Batimentos acelerados que faziam tremer cada metro quadrado. Falta de ar que mataram seu nome, cada letra dele.

Olho para o céu.

As estrelas continuam tímidas.

Sinto a primeira gota salgada chegar ao meu lábio --- não percebi que estava chorando. Vamos, ar: percorra as ruas de novo! Cérebro, meu tão bom aconselhador: me mostre o caminho de volta à calma! Dentro de mim, me perco e por vezes saio e nem sei onde estou...

---//---

Levanto-me enfim do banco. Quanto tempo se passou dessa vez? Será que alguém percebeu?

Acho que é hora de voltar para casa: a grande mesmo, onde meu corpo tenta descansar. Uma última olhada ao céu, um pequeno perceber do que há ao redor.

 


O prédio onde moro, ironicamente, mostra um coração.

- Para esse coração eu sei o caminho!

Ali, de pé e a pé, começo a contar os passos até lá. Vou decorar cada centímetro até o lar! Vou finalmente saber o caminho e ensinar para o ar --- do pulmão até ali é um pulo! Quem sabe, assim, meio que sem querer, não ache a chave por aí.... Quem sabe eu entre, tire o pó das coisas, replante seu nome e vá regar de vez em quando.

---//---

Falta de ar, batimentos acelerados.

Mas dessa vez, é por lembrar de você. É aquele sentimento bom de sentir.

Bem-vindas de volta, borboletas no estômago. Não vou deixar julgamento alheio nenhum afugentar vocês dessa vez.



quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

"O amor que salva"

Hoje uma foto, uma frase, um sorriso de verdade me acordaram. 

Não sei nem por onde começar. 

Vivo em um mundo interno, andando em círculos, onde nem sei na verdade quem eu sou.

Como sair? Como mudar um hábito arraigado, que o comodismo nosso de cada dia nos sugere ao pé do ouvido "não mude. Faz mal a você, dói, eu sei. Mas mudar significa ir ao novo, sair da realidade que está acostumado, não mais ter estas válvulas de escape que, ainda que te afundem, te trazem este prazer nocivo. E daí que depois você está vazio? Faça de novo, e você esquecerá por instantes esse vácuo entre quem você é e como você está".

Quem eu sou e como estou. Ao lembrar de mim mesmo, ao lembrar da minha história, consigo entender as frases tatuadas no meu braço: "aquele que sempre acreditou em si mesmo".  Encontro o combustível, as ferramentas necessárias para construir o meu paraíso aqui mesmo, onde estou.

Mas para mantê-lo, preciso de algo além das lembranças. 

Preciso agir. Não tem jeito. Preciso relembrar quem sou, e impor este eu sobre a situação que vivo. Lembrar que tudo passa, mas eu continuo. Não vai ser um problema que vai me apagar. Não vai ser uma fase ruim que vai me fazer desistir. 

Mas falta algo ainda.

Se a felicidade só é real quando compartilhada (Mr. McCandlees, essa frase é sua!), então este paraíso a ser construído deve caber mais gente além de mim. E precisa oferecer a alegria em vez de cobrá-la. Não há outra forma.

Vai ter momentos em que vou me sentir voltando ao fundo. Em que vou voltar a dar ouvidos ao comodismo, ao vício de passar pela vida sem de fato vivê-la. E aí eu preciso deixar este texto sempre perto de mim, pra reencontrar meu caminho e seguir em frente. 

A foto que vi. O sorriso que me fez sentir. A frase que me arrebatou. Nada é meu, mas senti como um presente. Muito obrigado, mundo doido que passa mensagens o tempo todo. Dessa vez eu estava atento, consegui captar.

De todo modo, sinto que preciso colocar aqui uma foto que remeta ao meu próprio sentido do "amor que salva". Não achei só uma, então vai duas. O Eu de 22 anos, vivendo os dias, cada um deles, de forma realmente VIVA, e o ser humaninho que é hoje minha maior professora na matéria da vida.

Ao Alê do futuro: vai passar. Lembre-se de tudo isso aqui que você escreveu. Recalcule a rota. Siga em frente. Vai dar bom. A história que você construiu é a prova. Ainda que não saiba quem você é neste momento, lembre-se do que você já foi e molde o que você será a partir de agora. Não importam os erros, as falhas, as chances perdidas. O passado é aprendizado. O presente é a folha em branco e o futuro é você quem escreve. 

(E passe isso aos outros. Você é bom nisso.)

Toma a música aí: