quinta-feira, 15 de outubro de 2026

O trem diário das seis e meia

 

Ufa!

Pelo menos daqui da estação, tenho certeza de onde vou chegar. Aqui consigo prever, planejar, estimar, antever até.

O que foi isso tudo?! Agora que me encontro aqui, quase só, aguardando meu trem, consigo parar pra pensar... parece até um turbilhão.

Tem trens e trens passando pela minha mente... uma frota inteira. Ensurdecedora, impetuosa, impaciente, interminável... e impressionante.

Jamais vivi tamanha intensidade. E foi tudo tão... como descrever? As palavras estão em cada vagão e minha memória não se faz estação. Elas não param. Passam e passam....

Pelo visto não terei como contar essa experiência, terão de vir, viver, sentir e inefavelmente memorizar!

Mas estou aliviado. Apesar de tudo, estou vivo, no fim. Pra ser sincero, será mesmo que vivi isso tudo?

E pensando agora, o que mais me cativou não foi o tempo que durou (quanto tempo se foi?) ou com quem estive (quantas pessoas eram? Havia mesmo alguém lá) ou até mesmo o lugar em si (alguém saberia apontar no mapa esse lugar???), mas, principalmente, a emoção que vivi.

O trem está chegando, com seu tic-tac pra lá de familiar.

 E não dá nem para adiar a partida... Chegou a hora.

De acordar.


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