Sempre quando me dou por mim, já tô aqui de novo.
O vento que balança as águas, descabela as árvores faz o
barco dançar.
Esse mesmo vento, insolente, tá fazendo meus cabelos
grudarem no meu rosto, molhado dessas lágrimas culposas, que teimam e teimam em
descer.
Poxa, às vezes eu só queria ser como todo mundo... Quem sabe
assim eu me sentiria parte de algo, par de alguém.
Ao mesmo tempo, se não for sozinha, como que seria? Só eu
tenho essas aspirações, só eu posso me fazer caminhar, colocar um pé na frente
do outro... Não importa o quão difícil está, se não sou eu a me motivar, quem
seria???
...
Bem que podia ter alguém aqui pra me motivar.
...
O vento continua a me esbofetear. Parece até rir da minha cara, mudando de direção hora ou outra, como se estivesse virando a cabeça pra contemplar minha derrota.
Por que você também não leva o que pesa em mim junto com essas
folhas? Não é você o que aguenta tudo? O que não se magoa? O que finge estar
tudo bem?
Por que logo a minha paz tinha que ser leve o bastante para
você soprar pra longe?
Pois veja você, não vou ficar aqui apanhando. Vou limpar meu
rosto, continuar observando você brincar com meu cenário favorito, depois vou
me levantar. Não posso ficar muito tempo sentada. Não vou erguer um muro de
lamentações hoje aqui.
Vou levantar, porque preciso seguir. Não só por mim, mas
principalmente por mim.
Não se preocupe, não é um adeus. Você me conhece bem, brisa
vespertina, e sabe que logo mais me colocarei ao pé da árvore de novo. Mas
dessa vez, não tente enxugar o meu choro com meu cabelo. Deixa ele fluir, cair.
Prometo que fico bem depois.
... Até logo.

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