segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Wish upon a star


You know, I wish I could have so many stars to look everyday here. And I imagine myself looking at them, amazed, and waiting for the next falling star to come. I wish one of them could fall on my yard, so that I would have one my own, to shine and to be admired every day. But it would be selfishness, so maybe I would throw it on the sky again, so that everyone could see such beauty. I've already made so many wishes upon a star, and some of them have already come true. I keep wishing. I keep looking to the sky. I keep searching for the next falling star to fall right here. I will have more wishes coming true. Maybe someday I can step outside your yard, and grab another chair to stay aside you. We could talk, laugh, philosophize and watch the universe in VIP seats.

But this is another wish.

I wish I could have so many stars to look everyday here.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

From up here

From the mountain of my dreams, I am pushed, like a stone. While rolling to the ground, I feel little parts of myself being left behind. It’s hard to look back and see that so much was lost. But I keep rolling without control. I can’t help it.

In the middle of the mountain, I got stuck. Can’t keep going down, neither can go back up. The sun is pointing his beams to me, burning my face as if it wanted to change my color, to change the way I am. Some clouds come to try to stop the sun, but his beams are strong and pass through them. It’s hurting me already. I don’t like to be changed, specially like this, with no option at all. Suddenly, I felt another push, freeing myself from being stuck, but not saving me at all. All this pushing was to take me down, and down, and down…

I had no one to hold, nowhere to hide. It was a free fall. Free of guilty, maybe. Because I was trying to stop it all. I was trying to get up and walk to the top again. But they were saying no; they were saying I should stop dreaming, that all of it wasn’t real life. However, I didn’t want to give up. If they couldn’t climb up to their objectives, it didn’t mean I could not do it as well. 

So I finally touched the ground. People are always taking me down. But doesn’t matter, I’ll climb it up again. I’m getting stronger, and the day will come when I’ll be strong enough to be able to avoid their pushes, and maybe pull one or another with me to see the life from the top of that mountain with the eyes I’ve learned to see.  


And if I may say, the world seems more pleasant and wonderful from up here.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Just a jealous guy (?)

Em uma de minhas caminhadas, lembro-me de ter encontrado um rapaz jovem, com um violão na mão e uma barba de respeito, apesar da pouca idade. Estávamos em um pequeno bar, e o vi tocando “Jealous Guy” no palco. Como eu gosto da música, fiquei prestando atenção enquanto ele tocava. Entre um gole e outro, reparei que suas feições mudavam a cada troca de notas. Ele realmente tinha uma sincronia interior com a música que tocava... Era fascinante!

Convidei-o para beber comigo. Ele então começou a contar um pouco da sua história. Disse que não tinha casa certa, e que muitas vezes dormia ao luar. Perguntei-lhe como ele conseguia sobreviver daquela maneira, e a resposta não poderia ser mais esclarecedora:

“Cara, esse negócio de sobreviver é muito relativo daquilo que você espera da vida. É tão simples e fácil ser feliz que às vezes fico rindo à toa daquela galera que insiste em se matar porque não passou na faculdade ou porque tomou um pé na bunda de alguém. Uns tantos ficam doidos buscando dinheiro, enquanto outros enlouquecem por ter grana demais. Agora me fala uma coisa: isso é felicidade? Seu objetivo também é se enjaular nesse tipo de vida tão manjada? Porque, fala sério, pra mim é muito pouco acordar, trabalhar o dia todo, voltar pra casa, dormir, e fazer o mesmo no dia seguinte, e no outro, e no outro...

Prefiro o mundão como minha casa, e não ligo se haverá teto hoje ou não. Olha só o céu, ó que estrelas lindas? Pra que um teto? Pra me privar de ver isso tudo aí? Não, não... Prefiro do meu jeito. Conheço gente nova todo dia, toco minha música, e de quebra ainda ganho uma graninha com isso. Não é muito, mas dá pra sustentar meus vícios e pagar a comida. Pode ser pouco pra você, mas pra mim é o bastante.”
Aquilo me atingiu como um tiro. Por um tempo, viajei naquelas palavras. Percebendo minha distância, o rapaz agradeceu o drinque e voltou a tocar seu violão:

I didn’t mean to hurt you.
I’m sorry that I made you cry.
I didn’t want to hurt you,
I’m just a jealous guy...


Just a jealous guy. Ele... ou eu?
--//--

Sentado ali perto, estava outro senhor, bem vestido e de boa aparência, que ouviu a toda a conversa que tive com o rapaz músico. Deu um último gole em sua bebida e virou-se para mim, dizendo em bom tom:

“Escuta, esse cara é doido! Você ouviu as merdas que ele falou?”. E continuou:
“O que você acha de tudo isso? Até parece que ele consegue viver uma vida sozinho, sem sonhos, sem destino, sem almejar chegar a lugar algum! O que é que nos move, senão nossos objetivos, nossa vontade de ir sempre mais longe? O que é que nos dá mais prazer que chegar em casa e encontrar as pessoas que você escolheu para viver ao seu lado? Que tipo de segurança você tem vivendo uma vida dessas? Que tipo de laços você faz? E o mais importante: de que serve viver todas essas experiências sem ninguém ao seu lado para compartilhar dos melhores momentos? Se o objetivo é ter história, de que serve se nunca haverá a quem conta-las? A vida não se resume a apenas subsistir.”

NOCAUTE! Lá estava eu no chão outra vez, me afogando naquele monte de pensamentos e opiniões divergentes. Os dois tinham seu ponto de vista e estavam certos de acordo com aquilo que acreditavam. Saí do bar pouco tempo depois, pensando se poderia – ou deveria – me encaixar em algum daqueles estilos de vida. Me vi sem saber se queria ser como o rapaz do violão ou como o homem refinado da taça de vinho.
Nesse meio tempo, melhor continuar com meu jeito, sei lá, todo assim, meio indescritível. É o que faz meus olhos brilharem por enquanto. Mas, definitivamente, coloco agora no papel o modo de vida daqueles homens justamente por não conseguir entende-los bem. Quem sabe, quando ler isso aqui novamente, eu possa compreender melhor o por que de eles serem tão diferentes e igualmente tão fascinantes.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

From Ayumi's eyes (1)

Ayumi era uma menina alegre. Vivia imune ao mau humor alheio, e transbordava sorrisos a quem quer que passasse. Quando caminhava, seus cabelos longos e negros dançavam ao riso dos ventos. Seus olhos eram de um brilho singelo e seu toque era sensível e arrepiante.

Jamais tinha pressa para fazer algo. Queria sempre que tudo fosse bem feito — não necessariamente ao grau da perfeição, mas bom o bastante para se sentir satisfeita. Sua voz, doce, melodiava a cada sílaba e hipnotizava a todos.

Ao conhecer Ayumi, essas seriam as primeiras características que perceberia nela. Porém, ao aprofundar-se em seu universo tão singular, veria que há muito mais escondido em cada  simples traço. Afinal, Ayumi também era uma pessoa que chorava. Às vezes, tudo o que precisava era de um abraço; tantas outras, queria apenas ficar só, nem que fosse por um mínimo de tempo possível. Gostava de encontrar-se consigo mesma para fazer nada, apenas pensar na vida ou olhar o mundo, sentada no mais alto ponto de seu admirável ser. Traduzia emoções nas teclas de seu piano, e sabia que muitas das notas só seriam completamente sentidas e internalizadas por ela mesma. Mas enquanto buscava alguém que a entendesse — poucos conseguiam perceber o que se passava em sua mente —, sustentava-se naqueles que quase o faziam. E esses ela chamava de “amigos”.

Mas o mais incrível era a vontade de voar que se tinha quando se estava ao lado dela. Uma vontade infindável de ficar horas e horas ali, conversando sobre tudo e olhando para o nada, ou para um por do sol, um filme, ou somente para o céu, brincando de dar formas às nuvens.
Um dia – quem sabe – alguém consiga ir além do que os olhos passam, e possa, enfim, entender um pouco mais do mundo de Ayumi, tão humanamente comum e contraditoriamente singular.

--//--
Certo dia, recostada numa árvore, Ayumi põe-se a pensar no mundo que a rodeia. O vento balança seus longos cabelos e o pôr do sol avermelha e abrilhanta sua íris costumeiramente negra. Lágrimas escorrem por sua face, tocando seus lábios e salgando seu paladar.

A pequena menina tentava entender por que existem coisas às quais não podemos ter controle, e por que não podemos fazer nada para mudar certas situações. Era sempre muito difícil para Ayumi se sentir de mãos atadas, sem saber o que fazer, o que sentir.
Ninguém a entendia melhor que ela mesma, não tinha a menor dúvida. Então sempre que queria explicitar seus sentimentos, caminhava para o bosque onde agora estava e repousava o corpo à sombra de sua maior cúmplice: a natureza. Ali, sentia-se protegida e segura o bastante para dizer o que quisesse, o mais alto ou sussurrado que fosse.

Suas lágrimas continuavam a cair, de forma lenta e singela. Sentia um grande vazio em si, e não fazia a menor ideia de como preencher. Há tempos buscava uma resposta, mas mal sabia por onde começar a procurar. À medida que o sol foi se pondo, a lua subia ao céu para fazer companhia a ela. As flores abraçavam seu calcanhar e perfumavam seu redor.

Então, Ayumi se levantou. Estava farta permanecer a esmo, e decidiu: iria viver o que a vida lhe oferecia, e isso necessitava bastar. Decidiu que, mesmo que não achasse o algo para lhe preencher, não seria de todo vazia. Far-se-ia autossuficiente, ou o bastante para não mais se sentir tão mal.
Mergulhou então em seu mais lindo universo e buscou sonhos ainda não realizados. Olhou o céu, a lua, o seu redor. Sentiu-se, por instantes, completa, como se aquele lugar a deixasse melhor – e realmente a deixava.

Voltou para casa. Havia se abastecido da força natural que o momento lhe passara, e estava pronta para viajar aos céus, caso fosse necessário, para alcançar o que agora era seu sonho maior: desvendar-se, na antítese de um mundo simplesmente complexo — o seu próprio mundo.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Os dois lados da moeda

Sempre quis me tornar um herói. Servir o país, ser um soldado, lutar por minha pátria! Sempre quis mostrar meu valor, poder fazer com que as pessoas olhassem pra mim com orgulho, e não com o desprezo de sempre. Não ouviria mais insultos, não seria mais humilhado. Muito pelo contrário: seria, enfim, respeitado!

O estouro iminente de uma guerra era anunciado aos quatro ventos, todos estavam temerosos com os possíveis ataques aéreos, preocupados se suas vidinhas fúteis e sem sentido chegariam ao fim.

Por outro lado, eu estava extasiado! A carta de convocação havia chegado à minha casa, e embarcaríamos para o país inimigo na semana seguinte.

Festas, desejos de boa sorte, encorajamentos e muita ansiedade antecederam meu embarque. Chegava à minha caixa de correios dezenas de mensagens de apoio. Porém, uma das cartas me chamou muito a atenção. O papel continha apenas a seguinte frase:

O herói não é herói aos olhos do vilão.”
Não fazia sentido pra mim, mas ainda assim foi a única frase que lembrei entre tantas outras de todas as cartas que li.
Havia chegado a hora de partir. Muitos outros rapazes se juntaram a mim, e entramos no avião rumo ao nosso destino. Sentia-se no ar a morbidez e o medo exalando dos poros de cada um. Estaríamos mesmo prontos para abdicar de nossas vidas? A resposta já não tinha valor algum. Não era mais possível voltar.
Foi então que caiu a ficha.

Logo no primeiro dia, nas linhas de frente, senti na pele o verdadeiro medo e desespero. Não existia mais estratégia. Era uma luta árdua para se sair vivo, ainda que isso tomasse a vida de um aliado seu. Vi vários soldados sendo usados como escudo por outros que estavam exatamente ao seu lado. Todos perderam a noção de tudo; era visível que não estavam preparados para tudo aquilo.

A guerra havia começado para nós. Rajadas de tiros e explosões de granadas e canhões atordoavam-me; não se conseguia ver ou ouvir ninguém; era uma luta cega, onde luzes e estrondos davam ar de espetáculo ao inferno que ali presenciava.

Algo explodiu muito perto e fez muitos de nós cairmos, inclusive eu. Ouvia as balas passando muito perto, zunindo e batendo em coletes e capacetes. Gritos de dor era a sinfonia do momento. Tentei levantar, mas uma nova explosão me jogou alguns metros de distância de onde eu estava.

Era difícil ficar de pé. Reunindo minhas forças, levantei-me novamente. Ao meu redor, a guerra continuava. Bombas explodiam a todo o momento; testemunhava meus amigos lutando desesperadamente por suas vidas. Perto de mim, sangue jorrava para todos os lados. Estava atordoado, sem saber exatamente o que fazer ou o que pensar. Nunca passara por um momento tão terrível anteriormente.

Vivenciando aquilo tudo, senti o ódio subir em mim. A loucura passou a tomar conta de toda a minha consciência. Todo aquele caos havia me tirado a sanidade! Já não havia importância alguma em tentar se esconder ou se lançar ao ataque. Algo em mim já sabia que não haveria mais volta...

Então, segurando lágrimas e granadas, lancei-me às linhas inimigas. Correndo o mais rápido que podia, ouvia gritos e tiros. Um dos tiros, aliás, raspou meu braço, enquanto outro acertou minha perna. Caí imediatamente. Tomado pela dor e pela intensidade do que sentia, coloquei-me de pé com dificuldade e continuei minha trajetória.

Quando vi que já não havia mais como avançar, uma vez que me sentia muito cansado e a dor já me corroía o equilíbrio e o ímpeto, acionei as granadas e as joguei com toda a força que pude em direção aos que me faziam frente naquele momento. Eu já estava morrendo, mas ao menos um deles eu levaria comigo. Essa era minha obsessão.

Ainda consegui ver o estrago que fiz antes de sentir tantas outras rajadas de bala atingir meu corpo. Percebi ali que nada mais podia fazer.

Num último momento de lucidez, pensei na frase daquela carta que recebi. Ponderei se tinha sido realmente válido lutar por uma pátria que jamais lutou por mim. Tudo que tive na vida conquistei com dificuldade. Nunca me deram uma educação decente, um hospital de qualidade! Agora pediam para que eu guerreasse para trazer a paz à nossa pátria.

Engraçado, não?! Nós estávamos em paz. Os inimigos também. Mas de repente, quando se soube das riquezas que a terra invadida tinha, brotaram terroristas e malfeitores daquela nacionalidade.

Como pude ser tão burro? Estava na cara! Nosso governo dizia que deveríamos vencer porque os outros é que faziam o mal, que eram ruins. Esses, porém, é que tinham seu país invadido e estavam sendo expulsos de suas casas; tinham seus filhos mortos e mulheres estupradas. Quem era o mau, afinal? Por que estávamos ali, mesmo? Infelizmente, já não importava mais pra mim nem para todos os outros que ali estavam.

Quando a guerra começa, os propósitos primários são esquecidos e se luta unicamente por sua própria sobrevivência. Àqueles com sorte, a morte os espera. Aos menos afortunados, os fantasmas e lembranças daquele dia os perseguiriam até onde suas sanidades aguentassem, ou mesmo além.

Por fim, a luz. Mais uma explosão, menos um soldado.

E o que fica?

Para a família: uma medalha.
(medalhas não estancam dor)


Para o país: menos um pião no tabuleiro.
(“Perdemos muitos homens. Vamos refazer o planejamento”)


Para mim: a desilusão e a certeza de que heróis não existem.


(Acaba aqui a epopeia de um tolo que comprou mentiras acreditando adquirir verdades)