sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Por fim, o (re)começo.


Cambaleando pelas ruas cinzas, ouvindo o vento uivar, Ana conseguia distinguir as gotas geladas do choro do céu juntando-se às lagrimas quentes e salgadas que pululavam de seus olhos claros, inundados em arrependimentos e angústias. 

- Como pude deixar isso acontecer? Quando foi que eu me perdi de mim mesma? Quando foi que me perdi de...

Os soluços pareciam competir com sua voz trêmula e a venciam a cada fim de frase. Cada passo promovia um tropeço nas tantas palavras jogadas ao chão, enquanto outras retornavam com o vento, num eco constante de lamúria e decepção.

Mas ela continuava caminhando.

Continuava tentando vencer a interminável luta contra seus sentimentos, contra seus instintos. Ela queria só voltar a ter a vida de sempre. a ter vida. Já não sabia por quanto mais tempo sustentaria o peso de sua consciência sem que sua sanidade ficasse no caminho. Por isso se esforçava, lutava, rugia, chorava.

Por fim, caía.

Mas Ana, porém, queria a todo custo levantar-se de novo, mesmo sem segurança, mesmo sem garantia de que a próxima queda seria a última. Queria tentar novamente, ainda que só mais uma vez. Queria provar ser dona de si mesma; provar que conseguia, sim, vencer seus tantos eus que guerreavam entre si. Pôs-se, então, de pé, e buscando ordenar os pensamentos, deu o primeiro passo para fora da névoa tempestuosa de seu estado emocional. 

A chuva parava aos poucos de cair. Suas lágrimas, por fim, secavam.

- Deixe como está. Preciso seguir. 

Mochila de volta às costas, passado para trás. Próxima parada, o nascer do Sol. Seja lá onde isso for.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

It changes all the time

There are some people I miss having around. But, you know, I made some decision that changed me, as well as they did it to change them. We are not the same guys we were years ago. We became a bit of strangers with good memories of the past.

It’s just like that feeling you get when passing by somebody and thinking “oh, I know him/her” but consciously you know you never met him. I know them by sight, I know their names, where most of them live, but that’s it.

But there is an exception to this rule: the long-term friendships. Those that you barely talk to them, but when you do, it’s just like you saw them yesterday and everything between you always go perfectly fine. They know you so well they can guess your poker face or what you feel only by the way you write it. You are an open book to them, and vice-versa.

Sometimes I think that people I miss were actually colleagues, friends of a time or a cycle of my life. But I’m cool with it… It’s comforting to know that they were in my life and helped me when I needed at certain time/situation, and that I also helped them. Also, it’s even more amazing to know that a few of them — really a few — became friends by heart; those true ones I was just referring to.

So all I can do for now is thank them all for being part of my history, and take good care of the gold ones to always be ready to be there for them, because I’m 100% sure: they are here for me if I really need. =)



Let’s keep moving. The world doesn’t stop and we gotta keep up the pace.  

sexta-feira, 25 de março de 2016

It will take me time to get back on the wheels

(but I really hope I can go back to writing just as before, all over again).

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A WALK BACK INTO MEMORIES

[https://www.youtube.com/watch?v=2fnYTIP1XEI]

It’s been a long time since I came here last time. So much has changed.

I still remember all the little places I used to go, and while walking by those little streets of the town, I can’t help but to remember the good moments we’ve had together in here. Every pub we used to go, and all the walks we’ve done around the pond… All of sudden the feelings come back to my heart and mind, running fast through my veins and taking my breath away.

I still lose my breath because of you… Funny, right?

I wonder what you did to bury feelings and goosebumps inside yourself… (because they’re still there somewhere in your heart, right? You didn’t… You couldn’t forget everything forever… Could you?) Would these streets revive our times to you as well? Would it remind you how happy we used to be? Would it finally make you understand that there was no choice but to set ourselves apart? Would you then… Forgive… Me?

Oh well, who am I talking to. What actually do I wanna get with these thoughts? What is done is done, and I don’t even know which part of the world you are right now.

You could really have left a hint. Anything. I swear I would make my best to show you I’m still worthy. Because I am. I know I am… Right?
So much has changed. So many new colors.

But I’m still stuck in time, seeing you run from me at every corner I turn.


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Dê lírios

(Ela me olha?)
Petrifico-me. Não consigo me mover, desviar de seus ataques. Indefeso, inerte. Tudo isso apenas ao te ver. Estonteante, você vem. Começo a tremer. Vai me matar ou me trazer a vida? Sinto seu perfume cada vez mais forte, a entorpecer meus pensamentos e tirar-me do corpo. Mas você já foi. E nem sei mais onde estou, ou quem sou. Se passar por aqui de novo, por favor, deixe minha sanidade em cima da mesa e eu a pego assim que acordar.
 
(Ou sou eu que olho?)
Sinto-me hipnotizado ao tentar desemaranhar tamanho mistério que seus olhos passam. São como labirinto, no qual me perco com extrema facilidade — ruas e mais ruas sem saída. Caminho, então, em busca de algo que me faça te entender, na esperança de encontrar qualquer detalhe que exponha as brechas em sua armadura. Quem sabe, ao achar seu ponto fraco, consigo por fim te decifrar um pouco mais.
 
(Se ela sequer olhos tem.)
As pessoas dizem que eu devo parar de sonhar acordado, de falar sozinho, de imaginar coisas. Dizem que eu devia procurar um profissional e que eu ainda posso me recuperar.

Tolos. 

Não percebem o mal que isso poderia me fazer e o que isso implicaria para mim. Afinal, se eu parar de pensar em você, meu amor...


 

...você não vai mais existir.
 


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Heartache is a cold place

[Para ouvir enquanto lê: http://www.youtube.com/watch?v=ZyYCuLMBntU]



Eu ainda guardo conversas nossas dos tempos em que nos conhecemos e dos tempos em que éramos completamente conectados. Nos dias passados em que um completava o pensamento do outro. Acho que você também deve se lembrar disso.

Em meio a infinitos sentimentos, desvendávamos mistérios e desafiávamos a realidade. Encarávamos nosso próprio mundo. Fazíamos histórias e relutávamos a terminá-la apenas para não dar fim às vidas de nossos personagens, que então já se tornavam os nossos favoritos.

Quando saíamos, seus cabelos brilhavam ao sol. Seu aparelho dava um toque inocente ao sorriso que sempre dava após qualquer piada boba, ou após eu perder as palavras quase todas as vezes em que o azul-céu de seus olhos me encarava.

Você me quebrava de maneira tão simples! Me desestabilizava, me tirava o chão e me levava às nuvens. Perdi as contas das vezes em que me pegou sonhando acordado enquanto contávamos estrelas, deitados na grama de seu quintal. Nesses momentos, era como se fôssemos os únicos habitantes desse planeta.

E o mundo parecia tão pequeno.

O tempo não parecia ter fim.

Hoje, quando vou aos nossos pontos de encontro, ainda tento encontrar seu rosto em cada pessoa que passa por mim. Ao olhar pro céu, vejo que está quase do jeito que a gente se acostumou a vê-lo.

Quase.

Agora percebo que a beleza de tudo se foi junto contigo. Passaram-se anos, e só consigo pensar que o brilho das estrelas era, na verdade, o reflexo de cada parte de seu aparelho. Você sorria, as estrelas brilhavam. Você me olhava, a lua se enchia. Você me abraçava e eu implorava para noite não ter fim.

Seu exemplo está em todo lugar. Em mim, por inteiro. Tento ser mais calmo, mais alegre, viver com mais leveza, enfim. Assim como você fazia. Assim como tantas vezes você me sugeriu viver. Seus dias eram pluma, enquanto eu, cinza e pesado, trovejava o stress do trabalho e da rotina.  Então nos víamos, e você me inundava com sua simplicidade.

E tudo passava.

E sempre antes de ir embora desses mesmos lugares, dou mais uma pequena olhada para todos, numa esperança ínfima de você estar ali, na mesa ao lado, lendo seu livro favorito. Perdoe minha memória, mas qual era mesmo? Lembro do seu jeito entusiasmado de falar sobre as obras de Zusak e de Hosseini, mas sinceramente não lembro qual delas te fazia voar mais alto.

Em meus caminhos para casa, sinto de perto a sua falta. Ela faz silêncio todos os dias, e me faz viver essa irrealidade na qual perco o senso do que é memória e do que está de fato acontecendo. Preciso, de vez, entender que você não está mais aqui.

Afinal, essa foi a sua escolha.

Você resolveu ir. Era indomável, quem poderia te segurar? Você quis, e não houve ninguém que pudesse se por à sua frente. Essa sua personalidade foi o que sempre me chamou mais atenção em ti. Se você queria algo, simplesmente ia e fazia acontecer. Só é uma pena que as coisas tiveram de terminar dessa forma. Logo para ti, pequena rosa vermelha.

Você gostava de rosas, né? Trouxe essas para você. Quantos anos você faria hoje?

Já nem sei mais. Talvez seja melhor eu ir embora. Deixarei as rosas encostadas em sua lápide.





Até algum dia, quem sabe.