Pelo menos daqui da estação, tenho certeza de onde vou
chegar. Aqui consigo prever, planejar, estimar, antever até.
O que foi isso tudo?! Agora que me encontro aqui, quase só,
aguardando meu trem, consigo parar pra pensar... parece até um turbilhão.
Tem trens e trens passando pela minha mente... uma frota
inteira. Ensurdecedora, impetuosa, impaciente, interminável... e impressionante.
Jamais vivi tamanha intensidade. E foi tudo tão... como descrever?
As palavras estão em cada vagão e minha memória não se faz estação. Elas não
param. Passam e passam....
Pelo visto não terei como contar essa experiência, terão de
vir, viver, sentir e inefavelmente memorizar!
Mas estou aliviado. Apesar de tudo, estou vivo, no fim. Pra
ser sincero, será mesmo que vivi isso tudo?
E pensando agora, o que mais me cativou não foi o tempo que
durou (quanto tempo se foi?) ou com quem estive (quantas pessoas eram? Havia
mesmo alguém lá) ou até mesmo o lugar em si (alguém saberia apontar no mapa
esse lugar???), mas, principalmente, a emoção que vivi.
O trem está chegando, com seu tic-tac pra lá de familiar.
E não dá nem para
adiar a partida... Chegou a hora.
O vento que balança as águas, descabela as árvores faz o
barco dançar.
Esse mesmo vento, insolente, tá fazendo meus cabelos
grudarem no meu rosto, molhado dessas lágrimas culposas, que teimam e teimam em
descer.
Poxa, às vezes eu só queria ser como todo mundo... Quem sabe
assim eu me sentiria parte de algo, par de alguém.
Ao mesmo tempo, se não for sozinha, como que seria? Só eu
tenho essas aspirações, só eu posso me fazer caminhar, colocar um pé na frente
do outro... Não importa o quão difícil está, se não sou eu a me motivar, quem
seria???
...
Bem que podia ter alguém aqui pra me motivar.
...
O vento continua a me esbofetear. Parece até rir da minha
cara, mudando de direção hora ou outra, como se estivesse virando a cabeça pra contemplar minha derrota.
Por que você também não leva o que pesa em mim junto com essas
folhas? Não é você o que aguenta tudo? O que não se magoa? O que finge estar
tudo bem?
Por que logo a minha paz tinha que ser leve o bastante para
você soprar pra longe?
Pois veja você, não vou ficar aqui apanhando. Vou limpar meu
rosto, continuar observando você brincar com meu cenário favorito, depois vou
me levantar. Não posso ficar muito tempo sentada. Não vou erguer um muro de
lamentações hoje aqui.
Vou levantar, porque preciso seguir. Não só por mim, mas
principalmente por mim.
Não se preocupe, não é um adeus. Você me conhece bem, brisa
vespertina, e sabe que logo mais me colocarei ao pé da árvore de novo. Mas
dessa vez, não tente enxugar o meu choro com meu cabelo. Deixa ele fluir, cair.
Sentada na areia, esperando o Sol nascer, sinto como se o vento chamasse o encaracolar dos meus cabelos para dançar --- uma brisa suave e envolvente, que percorre meu corpo, tocando-me por completo e me arrancando sorrisos bobos.
Pequenos sopros do mundo que ziguezagueiam por entre meus dedos, trazendo com eles lembranças de momentos anteriores que me punha a dançar por mim mesma, apenas envolta nos sons e melodias que visitavam meus ouvidos.
Os primeiros raios de sol, então, dão o ar da graça num espetáculo quase psicodélico (assim eu o via através de minhas lentes, a partir do que traduzia a minha mente), dando cores ao que antes era só noite e estrelas. Em mim, amanhece também um sentimento em erupção, que cospe coração afora essa vontade viva de continuar aqui, existindo e experenciando o que esse mundo tem a oferecer.
Sem perceber, cada poro de mim se faz vulcão e transpiro euforia e excitação; começo a tremer, me sinto arrepiar --- o sorriso agora, pelo que parece, veio pra ficar.
A Estrela Maior, imponente, se faz enfim visível ao horizonte, me desafiando a ir de encontro a ela. Sem pensar (uma explosão em mim!), levanto- me e corro em sua direção, vencendo cada onda que o oceano joga contra mim, até que o fôlego se esvai e me vejo jogada de volta ao raso.
Mas de raso, daqui pra frente, só o da praia. Don't blame me, senhor Sol, por alimentar em mim esse furor incandescente de querer sempre mais de tudo, até do que ainda não me rodeia.
Tem algo em mim querendo gritar. Algo que quer emergir e transbordar inconsequentemente, incontrolavelmente.
É como se já não houvesse como segurar isso em mim. Parece estar se debatendo, como em uma camisa de força, buscando libertar-se a todo custo.
Algo que eu não queria que saísse. Que não fosse mostrado ao mundo.
Mas a superfície de mim mesmo já está se quebrando, estilhaçando. Não demorará muito agora.
E esse sentimento, como uma erupção, começa a soltar-se ferozmente dentro de mim. Acha caminhos, atalhos. Veias viram vias em que ele transita junto com meu sangue, que efervesce e se agita, acelerando meu coração. A respiração, aflita, se compadece.
O corpo sofre por ele mesmo.
Perco o controle até mesmo da máquina humana.
Estremeço, arrepio, enrubesço. Não consigo me manter em pé, e caio de joelhos.
Enfim, o sentimento acha uma saída, pegando carona com uma ínfima lágrima, que se demora em minha íris, encarando-me frente a frente, e então rola rosto abaixo, resvalando em meus lábios antes mesmo de ir ao chão, deixando seu sabor salgado se misturar ao amargor do momento.
Dali, um sem-número de outras lágrimas tão iguais àquela fazem nascente em mim, enquanto a foz varia entre minhas mãos, soluços e palavras entrecortadas, quase mudas.
E choro.
Muito.
Por um tempo que não sei precisar.
.
.
.
Parece que elas acabaram.
Alívio. Calma.
Silêncio.
É a deixa para me colocar de pé de novo. Bater o pó da roupa, olhar ao redor e seguir — ainda que para um rumo cujo destino desconheço.
Lendo as linhas do texto que conta a história dos meus dias,
deparo-me com um sem-número de incompletudes, frases abertas, ideias fragmentadas.
Parênteses abertos que dão vazão a interpretações que se
perdem no tempo e espaço --- o que pode caber entre parênteses? Uma frase? Uma
ideia?
... Uma vida?
Cá entre nós, muito entre aspas, abro parênteses por todo
caminho que trilho, e já não sei onde começa uma frase e onde se inicia outra e
a falta de pontuação me faz ficar sem fôlego ao ler e clamo enlouquecidamente
por uma vírgula que possa enfim me permitir inalar o ar que me envolve ainda
que pesado e frio mas necessário para me manter vivo e me pergunto já sem
aguentar se um dia vou encontrar meu ponto final.
Meus caminhos tortuosos copiados a lápis sobre o papel, como
se assim, ao apagá-los, eu pudesse reescrever o passado. Tolo de mim, que ainda
não entendi as lições de outrora e me vejo obrigado a repeti-las, numa
tentativa desesperada de vencer os fantasmas de ontem que vivem em mim.
Meu destino incerto não me permite a segurança de fechar um
ciclo.
Não consigo fechar um parêntese sequer, e é um tanto estar
entre vírgulas que me vejo um aposto de mim mesmo, esmiuçando o óbvio a todo
momento.
Meu dia a dia é um vis a vis num reflexo infinito no espelho.
As ruas dessa cidade são convidativas pela noite. Gente lá e
cá, um ar fresco e calmo, um ir e vir de carros e pessoas. Tudo parece muito
bem orquestrado.
Sento no banco de uma das praças, aquele meu preferido.
Acima, estrelas tímidas e escondidas pelas luzes artificiais que vêm dos postes
e edifícios. Ao meu lado, casais e grupos conversando, rindo e vivendo.
Sentindo.
Respiro fundo --- um suspiro. Sinto o ar povoando cada
avenida do meu corpo, indo visitar cada órgão, mas sempre que chega no coração
acha a casa vazia, e volta.
Meus pensamentos ficam confusos. Será que tem alguém lá
trancado? Eu simplesmente já não sei abrir o que sinto aos outros e me escondo
num cantinho? Ou está vazia, e como aquelas casas abandonadas, todos temem
chegar perto?
Mas eu lembro de alguém morando lá. Sim, costumava estar
sempre bem iluminado, de janelas com flores e batimentos sadios, esse coração.
Eu regava cada plantinha --- uma para cada letra do seu nome --- e as via crescer,
feliz.
Porém, quando quis mostrar você aos outros, eles te fizeram
murchar. Minhas tão amadas plantinhas. Minha visita preferida.
Então você se foi, e eu tranquei essa porta. Todo aquele
julgamento sobre quem eu permito entrar no meu coração me fez esquecer onde eu
guardei essa chave. E foi aí (agora me lembro!) que começaram os terremotos
nesse meu tão amado lar.
Batimentos acelerados que faziam tremer cada metro quadrado.
Falta de ar que mataram seu nome, cada letra dele.
Olho para o céu.
As estrelas continuam tímidas.
Sinto a primeira gota salgada chegar ao meu lábio --- não
percebi que estava chorando. Vamos, ar: percorra as ruas de novo! Cérebro, meu
tão bom aconselhador: me mostre o caminho de volta à calma! Dentro de mim, me
perco e por vezes saio e nem sei onde estou...
---//---
Levanto-me enfim do banco. Quanto tempo se passou dessa vez?
Será que alguém percebeu?
Acho que é hora de voltar para casa: a grande mesmo, onde
meu corpo tenta descansar. Uma última olhada ao céu, um pequeno perceber do que
há ao redor.
O prédio onde moro, ironicamente, mostra um coração.
- Para esse coração eu sei o caminho!
Ali, de pé e a pé, começo a contar os passos até lá. Vou
decorar cada centímetro até o lar! Vou finalmente saber o caminho e ensinar
para o ar --- do pulmão até ali é um pulo! Quem sabe, assim, meio que sem
querer, não ache a chave por aí.... Quem sabe eu entre, tire o pó das coisas, replante
seu nome e vá regar de vez em quando.
---//---
Falta de ar, batimentos acelerados.
Mas dessa vez, é por lembrar de você. É aquele sentimento
bom de sentir.
Bem-vindas de volta, borboletas no estômago. Não
vou deixar julgamento alheio nenhum afugentar vocês dessa vez.
Hoje uma foto, uma frase, um sorriso de verdade me acordaram.
Não sei nem por onde começar.
Vivo em um mundo interno, andando em círculos, onde nem sei na verdade quem eu sou.
Como sair? Como mudar um hábito arraigado, que o comodismo nosso de cada dia nos sugere ao pé do ouvido "não mude. Faz mal a você, dói, eu sei. Mas mudar significa ir ao novo, sair da realidade que está acostumado, não mais ter estas válvulas de escape que, ainda que te afundem, te trazem este prazer nocivo. E daí que depois você está vazio? Faça de novo, e você esquecerá por instantes esse vácuo entre quem você é e como você está".
Quem eu sou e como estou. Ao lembrar de mim mesmo, ao lembrar da minha história, consigo entender as frases tatuadas no meu braço: "aquele que sempre acreditou em si mesmo". Encontro o combustível, as ferramentas necessárias para construir o meu paraíso aqui mesmo, onde estou.
Mas para mantê-lo, preciso de algo além das lembranças.
Preciso agir. Não tem jeito. Preciso relembrar quem sou, e impor este eu sobre a situação que vivo. Lembrar que tudo passa, mas eu continuo. Não vai ser um problema que vai me apagar. Não vai ser uma fase ruim que vai me fazer desistir.
Mas falta algo ainda.
Se a felicidade só é real quando compartilhada (Mr. McCandlees, essa frase é sua!), então este paraíso a ser construído deve caber mais gente além de mim. E precisa oferecer a alegria em vez de cobrá-la. Não há outra forma.
Vai ter momentos em que vou me sentir voltando ao fundo. Em que vou voltar a dar ouvidos ao comodismo, ao vício de passar pela vida sem de fato vivê-la. E aí eu preciso deixar este texto sempre perto de mim, pra reencontrar meu caminho e seguir em frente.
A foto que vi. O sorriso que me fez sentir. A frase que me arrebatou. Nada é meu, mas senti como um presente. Muito obrigado, mundo doido que passa mensagens o tempo todo. Dessa vez eu estava atento, consegui captar.
De todo modo, sinto que preciso colocar aqui uma foto que remeta ao meu próprio sentido do "amor que salva". Não achei só uma, então vai duas. O Eu de 22 anos, vivendo os dias, cada um deles, de forma realmente VIVA, e o ser humaninho que é hoje minha maior professora na matéria da vida.
Ao Alê do futuro: vai passar. Lembre-se de tudo isso aqui que você escreveu. Recalcule a rota. Siga em frente. Vai dar bom. A história que você construiu é a prova. Ainda que não saiba quem você é neste momento, lembre-se do que você já foi e molde o que você será a partir de agora. Não importam os erros, as falhas, as chances perdidas. O passado é aprendizado. O presente é a folha em branco e o futuro é você quem escreve.
De vez em quando eu acho que perdi o jeito de fazer isto; de deixar as palavras simplesmente se soltarem, entrarem em erupção e acharem uma rota de fuga dessa mente confusa. Mas hora ou outra, elas acabam arranjando um jeito e emergem, atropelando-se, juntando uma ideia na outra e, quando menos espero, lá está a frase, o parágrafo, o texto.
A princípio nem sempre elas fazem sentido, mas depois acham um jeito de se organizar e voilá! Mais um pedaço de mim que saiu correndo e se espatifou no papel.
...
Eu costumava compartilhar todos esses acidentes literários com você, né?
...
Às vezes ainda me pego pensando em ti. Pensando em como você tá, em como seria se as decisões que tomei fossem outras.
Será que conseguiríamos zerar toda nossa bucket list? Todos os nossos “coisas a fazer com você”... Eram tantas, tão simples e tão entusiasmantes!
...
Será que continuaríamos alimentando aquele sentimento bonito um pelo outro? Será que, a cada vez que eu olhasse no seu olho, eu ainda perderia as palavras? Será que teríamos nossas conversas filosóficas nas cadeirinhas reclináveis no seu quintal, enquanto dávamos formas às nuvens ou contávamos as estrelas? Será que a gente ainda completaria a frase um do outro?
...
Saudades de ti. Faz falta ficar horas e horas conversando sobre tudo e nada com você, ou às vezes só ficar te olhando, e me enxergar no reflexo do azul dos seus olhos; ver o dourado dos seus cabelos esvoaçando parque afora; ouvir sua risada contida de “eu não sei explicar isso! É mágico!” toda vez que tentávamos explicar o que sentíamos um pelo outro.
Tô ouvindo sua música favorita. Meus olhos marejam.
As palavras tão acabando (quantas foram as vezes que nem precisávamos delas?)
...
Que nada tire seu sorriso e, se tirar, que seja por pouco tempo.
Tá um dia bonito aqui fora. Os dias têm sido bonitos. Frio
de manhãzinha, um calor à tarde e mais um pouco de frio à noite para dormir
cheio de coberta.
Por aqui, tudo certo. As coisas estão indo bem no trampo,
talvez até role uma viagem firmeza para Boston, a cidade que eu morei na época
que estava nos EUA! Estou empolgado com essa possibilidade, porque é um lugar
que eu amo muito, de coração. É mais minha casa que minha própria casa.
Falando em casa, consegui me entender com todos e as desavenças diminuíram muito. Estamos
levando até que bem!
Já a pequena, todo dia uma surpresa diferente. Mas, sempre,
surpresas boas! Ela fez sua primeira apresentação na escola, a coisa mais linda
que já vi na minha vida! Percebi o quão importante são esses momentos que
parecem simples. Ver ela ali, sorrindo, dançando, cantando, brincando... Enche
meu coração de uma felicidade extrema. Pode ser coisa de pai, mas é algo que
transborda em mim toda vez que vejo ela com aquele sorriso sincero e puro.
Quanto a mim, tenho tentado controlar meus impulsos que me
trazem dor para, assim, tentar me tornar uma pessoa melhor. Tem muitas coisas
ainda que me incomodam em mim mesmo, e decidi de uma vez por todas tentar
mudar. Não posso me contentar com quem sou, se isto ainda me traz desventuras e
remorsos. Por isso, estou tentando, todo dia, ser alguém melhor que o dia
anterior. Não é fácil, mas é pra isso que estamos aqui, né? Para ser alguém
melhor para nós mesmos e, consequentemente, para aqueles que nos rodeiam.
Tava ouvindo uma música e o começo dela me lembrou o que eu quero tanto te perguntar: como vai você?
Como tem vivido a vida? Como está tudo? Já tem planos para o futuro?
Ao mesmo tempo, fico imaginando se deveria mesmo te perguntar tudo isso. Acho que é hora de te deixar livre, de fato. Eu tenho prendido memórias suas comigo. São memórias boas, de risadas, de momentos felizes, de momentos difíceis também, mas que conseguimos passar. Não acho que deveria. Não acho que isso é saudável para mim. Então, por enquanto, acho que o mais correto é libertar até mesmo estas memórias, para que, se um dia nos vermos, a página que será escrita esteja em branco e não rascunhada de expectativas e lembranças.
Bom, em todo caso, fica meu oi e minhas desculpas.
Desculpa, de verdade. Vou continuar me esforçando para não
mais interferir, mas é que já havia muito a ser dito, e eu só queria saber...
Desculpa. Tá muito difícil ficar longe de você! Eu não
imaginei que seria tão complicado, tão dolorido. E eu estava tão decidido! Tão
certo de que conseguiria! Mas tá complicado... A saudade tá batendo na minha
cara com um soco inglês a cada 15, 20 minutos.
Vezenquando releio as nossas conversas, ouço inúmeras vezes
os áudios... Mas não desisti. Sempre que bate a vontade maluca de te ver, de
perguntar como tá o dia, de saber como anda a vida, eu lembro que isso tudo é
pro seu bem; que é o melhor que posso fazer por ti agora. Que, por mais que doa
(acredite, dói bastante), é a ação mais correta a tomar se eu me importo de
verdade com a sua felicidade.
Fico ainda imaginando o dia em que vamos nos ver, em que
conseguiremos dar risada disso tudo e construir novas lembranças. Sabe como eu
penso que seria?
Mais ou menos assim:
Chegando à sua cidade, você estaria me esperando, procurando
meu rosto em cada ônibus que chega, em cada táxi que estaciona. Eu, do meu lado,
te procuro pela janela, torcendo para chegar o mais rápido possível até você.
Então nossos olhares se cruzam.
Seus olhos claros reluzem e as lágrimas escorrem dos meus.
Caminho ansiosamente para seu abraço, mas, antes, paro à sua frente. Olho
profundamente para ti, e palavras saem do fundo da minha alma para dizer “eu
amo você”.
Então, enfim, o abraço. Não sei quanto tempo a gente fica
ali, abraçado, juntos. Parece que não existe hora e que ali é o lugar mais
seguro, mais calmo e mais feliz de todo o mundo. A vontade de morar em seus
braços simplesmente não passa.
Por fim, nos soltamos, mas as mãos seguem segurando uma à
outra. O sorriso mais belo que vi na minha vida inunda meu ser, e, daí pra
frente, é uma outra página a ser escrita.
“Só enquanto eu respirar vou me lembrar de você”
(ouçam a música, ou leiam a letra. Ela complementa isso tudo
:D)
I still look outside and see your face at every
little drop of rain. It’s funny to think that even the Sky is crying now that
you’re gone.
I wonder how you’re doing this far… Are you
fine? Did everything go just as you planned, just as you dreamed? I have to
admit it keeps me awake from time to time… You had so many objectives, goals,
places to see, people to know. Have you got to see everything you wanted
already?
Have you got any sincere smile? At least one
butterfly in the stomach? Have you touched the stars? Have you thrown yourself
away in some deep blue sky? Did you have the chance to just lay in the ground
and look at the clouds? What about some dance in the rain?
Right now I look outside again to check if I
see any of your moves in this rain pouring right at my window. Maybe a rainbow
comes after it — and God I pray it brings you here. Let me be your pot of gold,
your final reach! I swear I’ll wait for you.
You know, little bird, no place is big enough
to fit your wings. So the joke’s on me to think you could fit only in my heart.
Anyway, it’s even more beautiful to see you fly, and I mean it. No regrets. So
keep going and enjoy the life only you could give to yourself. I’ll be here, in
case you need a nice word or a warm hug.
The tea cup is empty and the night is far from
ending. Better get some sleep.
Good night, free spirit. Wherever the heck you
may be.
É inacreditável pensar que isso vai acontecer de novo. Dessa
vez eu tinha total conhecimento de que ocorreria e, mesmo assim, eu me apeguei.
Eu quis me convencer de que seria diferente; de que, finalmente,
conseguiria mudar o destino. Mesmo sabendo que nunca ninguém ficou, eu queria
com todas as minhas forças acreditar que você ficaria. Que contigo seria diferente.
Mas a verdade é que tem coisas que não são possíveis mudar.
E é isso. Tenho que aceitar. Se o amor verdadeiro é aquele
que liberta, é aquele que deixa voar, que deixa viver, então assim que tem que
ser. A felicidade real é saber que você está feliz, não importa se perto ou
longe.
Isso não vai fazer meu sentimento por você mudar. Vou
continuar te amando. Vou continuar querendo seu melhor, te ajudar, te fazer
bem. Quero saber dos seus voos mais altos, das suas maiores conquistas, da
pessoa incrível que você vai se tornar. Ainda que minha parte na sua história
já tenha sido escrita, aguardarei ansioso pelos próximos capítulos, para
comemorar aqui, de longe, suas vitórias.
Então não fique triste. Não fique mal. Acho que até mesmo
você sabia da loucura que tudo isso era. Do quão rápido as coisas aconteceram e
que, com a mesma velocidade, elas poderiam acabar. Quase como um cometa, que
rasga o céu num festival surpreendente de beleza e força, mas que logo não se
faz mais visível, deixando apenas a memória do momento.
(eu acho que vou pedir umas férias desse ciclo.)
Sentir você indo embora aos poucos dói demais. Mas eu tenho
muito o que agradecer.
Você devolveu minha inspiração, me fez voltar a fazer coisas
que não fazia há anos, reviver sentimentos adormecidos, me sentir vivo mais uma
vez. Isso não tem preço. Não tenho palavras o bastante para descrever o bem que
você me fez. Sou grato e me lembrarei sempre disso.
Seja feliz, lembre-se sempre da sua força e não deixe a vida
te derrubar, exija que as pessoas te tratem como você merece e não aceite menos
que isso, e viva. Viva muito e bem. Nas dificuldades e nos momentos bons. Se um
dia nossos caminhos se cruzarem, o abraço que te devo vai ser dado.
(traduzindo parte da música do início do texto:
“Em tempos como este, você aprende a viver de novo
Em tempos como este, você se entrega e se entrega de novo
Em tempos como este, você aprende a amar de novo
- Tava pensando aqui... Faz um bom tempo que a gente não
consegue ficar na paz né?
- Como assim?
- Sei lá, tipo viver sem morrer de preocupação com tudo, sem
ter um mundo inteiro de problemas para resolver... Tirar férias da vida, sabe?
- Tô ligado, mas é que não tem como, né?
- Como não?
- Ué, tirar férias da vida é postergar as coisas. Tipo... Tudo
bem a gente pegar um momento pra se libertar, mas não pode se iludir achando
que os problemas vão desaparecer, entendeu?
- Sim sim... Disso eu sei. Eu só quero essa pausa mesmo,
esse momento no topo de qualquer montanha.
- Partiu po! Bora lá! Qual?
- Sei lá... Uma bem longe daqui. Sabe mano, talvez eu queira
me iludir sim... Talvez eu queira acreditar que meus problemas vão sumir. Tá
tão pesado, tá tão sem fim...
- Eu sei. Ultimamente parece que a vida virou de cabeça pra
baixo, né? Mas bora fugir, man! Quando voltar, com a cabeça fria, talvez a
gente ache solução pra algumas coisas!
- “A gente” o quê, po?! Precisa se envolver nas minhas tretas
não. Eu dou um jeito... Só preciso entender como.
- Se liga. Cê tá ligado que comigo não tem tempo ruim. Tamo
junto, po! Dias bons e ruins, tipo casamento hahaha!
- hahahah... Ok, obrigado irmão. Você sempre tá ali quando
precisa mesmo.
- Se não for pra isso que amigo é feito, nem sei mais pro
que é.
-...
-...
- Pra onde então a gente vai?
- To pensando aqui... Tem um lugar que eu sempre quis ir.
- Onde fica?
- ... Noruega.
- QUE? Não tinha nada mais longe não? Hahaha
- Tem que ser lá, cara. Senão não conta.
- Ok Ok... Mas como a gente chega lá? Tipo, com que
dinheiro? Deve ser super caro!
- Tem razão... Vamos então aqui na Cantareira mesmo, mas bora
já deixar esse outro rolê na meta. A gente TEM que subir lá!
- Fechou, malandro. Então amanhã a gente faz a trilha da
Pedra Grande, pode ser?
- Beleza. Te mando msg antes de sair de casa.
- Vou aproveitar e ir pra casa também, Maurício, senão
amanhã não vou ter força pra andar dois passos hahaha.
Esperei demais por você. Tantas promessas vazias, tantas
vontades sem objetivo... Não vou mais compactuar com suas palavras ao vento e
sentimentos superficiais.
Vou voltar pra mim, vou fazer as pazes comigo. Passaporte na
mão, viagem agendada.
De lá, vou tirar férias de você, de nós, e de tudo que me
rodeia. Vou me permitir navegar por Veneza, admirar Milão, passear de bicicleta
pelas muralhas que envolvem Luca, tirar a foto clichê em Pisa, espantar os
pombos no Vaticano.
Caminharei em volta do Coliseu, admirarei a história de Assis,
pouco antes de me maravilhar com a paisagem natural de Lecce. Por cada cidade
que passar, vou deixar também uma parte sua que ainda levo em mim, para que, no
fim desta história, nem mesmo a menor lembrança fique de nossos momentos confusos
e complexos.
Inefável é minha vontade de bradar a todos os que quiserem
ouvir que, a partir de agora, quebro minhas correntes, viro a página, abro meus
braços e me jogo céu acima em busca do novo, do diferente, do surpreendente.
Rasgarei minhas roupas, meus limites, com a força que você
sempre disse que não tinha. Expandirei meus horizontes com a coragem de ir além
de onde você disse que eu nunca chegaria. Reacenderei em mim a chama que se
alimenta do que meus olhos veem; cada paisagem, cada pessoa, cada estrela no
céu.
Quanto a você, pode ficar onde quiser, só não do meu lado.
Porque, agora que voltei pra mim, do meu lado, não precisa
haver mais ninguém.
De todas as coisas que a vida oferece, eu só queria viver.
Sem a necessidade de me prender a lugares, sem ter a rotina
como minha prisão.
Gostaria de ver diferentes nasceres do Sol. Voltar a
caminhar, nadar, voar. Ter a necessidade da simplicidade apenas, sem precisar
me comparar a ninguém nem querer ou invejar a vida dos outros. Apenas viver a
minha, assim, do meu jeito.
Sem carros do ano, mansões ou palácios. Valorizar o que
realmente tem valor. Gastar o tempo, nosso maior tesouro, em momentos
inesquecíveis. Afinal, o tempo é o único item que, se usar errado, não tem mais
volta.
Queria me desvencilhar desse ouro de tolo. Encher meu bolso
de sorriso e alegria, só.
(Em que momento me perdi dos meus ideais? Quando decidi me
acomodar?)
Sigo correndo. Ele não pode me alcançar! Se isso acontecer
será meu fim!
Entre arbustos e pedregulhos, vou me esquivando matagal
adentro. Preciso me esconder a qualquer custo, fazer o mínimo de barulho
possível.
Ouço o barulho das correntes. Meu corpo paralisa, não
consigo fazer nada! Vamos, pernas, pro meio do mato, pro meio do mato!
Consigo enfim me mover e me deixo cair por sobre o mato.
Está escuro, quem sabe ele não me acha aqui... E esses insetos, saiam daqui,
minhocas e formigas irritantes! Não posso fazer barulho, parem de subir em mim!
Estou suando frio... por favor corpo, não comece a tremer...
os sons estão chegando mais perto... Chore quieto, chore quieto!
Os passos, estão vindo em minha direção! O que eu faço? O
que eu faço? Por que não tem ninguém aqui? Cadê os outros?
Que barulho foi esse? Algo caiu no chão. Ele desviou a
atenção... Isso, ande para lá, vai pra longe! Me deixa em paz!
Será que já tá longe? A hora é agora, preciso fugir antes que...
O que é isso no meu pé?
Solta bicho chato, uma cobra aqui do nada, por favor sai sai
SAI! Ah não, oo o o o barulhlh-lho... E-el-e-e me o-ouvvviu?
- Ah não.. Não! Eu tava tão perto! Sai daqui! O QUE FOI QUE
EU TE FIZ?
- ...
Por que tá tudo rodando ao meu redor? Assim eu vou cair...
Que isso... é SANGUE? Da minha cabeça???????
Não to conseguindo mais levantar... mas pelo menos tá me
dando uma calma! Acho que vou ficar por aqui mesmo... To um pouco cansado... Acho..
Que vou dorm... Dormir um pouc-
Tudo começa quando vocês colocam alguém no meu caminho.
Sempre de maneira inusitada, sempre de forma surpreendente.
Conversamos, e em dois dias parece que já as conheço faz
anos. E --- veja só ---, numa desditosa coincidência, todas estão passando por
momentos delicados e cruciais naquela época de suas vidas.
Momentos esses que não consigo simplesmente deixar para lá.
São angústias lancinantes, dores agudas, que são sempre desdenhadas por aqueles
que poderiam oferecer um ombro amigo. Dizem ser frescura, coisa boba, exagero,
babaquice.
Essas mesmas pessoas que desdenham esquecem que elas mesmas passam
ou já passaram por dores iguais, em situações diferentes. Não se lembram que a
montanha russa da vida pode colocá-los também naquela posição de dificuldade, no
qual só quem passa por ele consegue entender o peso e a veracidade dos
sentimentos que vive.
Então, me sinto no dever de ajudar. Tudo o que puder fazer,
farei. Dentro dos meus limites, vou agir.
É como se alguém muito querido estivesse com um problemão.
Não importa se conheço há um dia ou 10 anos.
Então, a ajuda ocorre. A situação passa.
Aquela tempestade cessa, a maré baixa.
Tudo, enfim, fica bem.
O ciclo se encerra.
É como se a missão tivesse sido concluída. E, como consequência,
a pessoa aos poucos prossegue sua vida, sem a barreira que a impedia de seguir.
De onde permaneço, vejo-a se distanciando mais e mais, até que sua silhueta se
confunda com o horizonte.
E não tem nada de ruim nisso. Muito pelo contrário.
É fantástico ver alguém que aprendi a amar caminhando de
forma livre, segura, independente. Construindo seu próprio caminho.
Vencendo.
Sorrindo.
Fico em meu lugar, esperando a próxima missão que vocês vão
me dar. A saudade existe, mas é abafada pela alegria de ser útil.
(Dói um pouco, sim. Não gosto de despedidas, mas não há nada
o que possa ser feito quanto a isso, né?!)
Após uma viagem frustrante em que nada queria dar certo, Ana,
no alto de seus 10 anos, voltava para casa. No banco de trás do carro de seu
pai, via a paisagem passar. Seus cabelos pretos esvoaçavam com o vento, que de
seus olhos claros arrancavam as lágrimas represadas.
Marcos, o pai de Ana, olha para trás. Sente muito pela
experiência que a filha teve, e resolve tentar melhorar as coisas.
Ainda triste, Ana começa a ver a paisagem mudar em sua
frente. Um som distante, que ia ficando cada vez mais próximo, envolve-a; então
diante de seus olhos, após o carro vencer as últimas montanhas, Ana vê, pela
primeira vez, o mar.
Um sentimento único a invade e a preenche por completo. O
verde de sua Íris brilha e seu corpo instintivamente dança ao som das ondas
quebrando na praia. Sem perceber, Ana abre os braços, como se deixasse o vento
levantar seu voo até a areia.
O carro para. Ana olha para o pai, esperando aprovação. Tão
logo recebe e corre calçada afora até o início da praia. Seus pés, já descalços
(para onde voaram os chinelos?) tocam a areia macia e quente. Sente como se
agora soubesse como é pisar em nuvens, e caminha agora em direção ao mar. Todo
aquele infinito de água cristalina a fascina, e andando agora mais devagar, chega
à areia molhada. Sente os pés afundarem um pouco, e hesita. Olha para trás,
outra anuência de seu pai.
Então, sentindo-se confiante e segura, dá mais um passo à
frente, mais um, mais um. Vê uma onda alcançar seus pés, e não segura a
felicidade de sentir a água do mar, gelada, pela primeira vez na vida.
Sentia como se aquele fosse o melhor dia da sua vida, de tão
leve que se sentia. Sua inocência de criança tornava tudo ainda mais singelo. A
lágrima de alegria dela, agora, se junta ao mar.
Um momento simples que, para Ana, parecia
infinito.
Nesta prisão, debato-me. Tento buscar a chave, quebrar as
barras. Cavar uma saída, quebrar as paredes. Mas minhas ações parecem em vão.
As pessoas que poderiam me ajudar, me jogam cada vez mais
para dentro. Me empurram, pisam, cospem, esquecem. Não lembram que eu, humano,
também sangro, também sinto.
Também choro.
Mas não tenho tempo a perder. Preciso achar uma saída! Minhas
lamentações não me trarão a liberdade. Sem ajuda, sem compreensão, mas com a
força de vontade que sempre tive.
(só mais este dia, vamos!)
E a cada afirmação minha, a cada vez que volto a acreditar em
mim mesmo, eu ouço o som das barras se rompendo, das paredes se rachando. O trabalho
é árduo, mas não há outro jeito.
Vou superar os tapas, as vozes, os pensamentos. Vou levantar
e forçar minha saída. Vou acordar e não mais ter este pesadelo. Vou, enfim,
abrir minhas asas que há tanto tempo não têm a liberdade de se mover. Voarei,
enfim, pelo meu próprio percurso.
E de tão alto, não mais ouvirei o que me prendia. Não mais
lamentarei a cela.
I still have our conversation, since the
beginning, saved on a file in my PC, but never got to re-read it.
Today I did.
Autora da ilustra: Noemi Yumi
And felt all emotions running through me,
rushing my blood, and accelerating my heart. I felt warm as if I was in your
arms, I felt connected as if we were on your backyard, looking at the stars,
despite the thousands of miles that apart us from each other.
I still dream of the day we’ll meet, and
finally have a chance to walk on Berlin, or London, or anywhere on this whole
world. I remember our bucket list, our plans of when we get together, all the
philosophical chats and those many hours we could talk about our daily life
just like every day could bring so many things to say and see.
There’s so much I wanna say. There is so many
things I wanted to do. But life got to make its own decisions on the way.
You had many dreams by that time! And looking
now that you reached many of them makes me very happy. At that time, when our
conversation started during 2, 3 hours, I was wanting to leave behind all I had
just to be with you. This made me think on many things, but particularly that I
could interfere negatively to your life in the sequence of it. I could be a
barrier between you and your dreams. I could make you not have those amazing
moments you had on the exchange to another country, or all the great
experiences the university brought you.
So I decided to walk away, little by little.
Letting you go, spreading your wings and flying as high as I always knew you
could. Just like our parents do when we are learning how to ride a bicycle,
until we start riding it on our own. It was one of the hardest decisions I’ve
ever made in life, but now I realize it was the right thing to do, because you
are incredibly happy and well stablished in all sections of your life.
You got to go to the places you wanted, you
finished studies, you found love. Each and every milestone you conquered had me
on my feet, applauding and cheering for you.
I just want to say that I still love you, and
always will. I’ll forever be cheering for you, wanting all the best things to
happen for you, wishing on my prayers that you may get all the things you need
to live the experiences you’ll face in future, the good and bad ones, and that
you get the strength and willpower to surpass all the walls and difficulties
that life may present you on the way. And, as you once told me, “remember of
your strength and don’t let life put you down”.
Sorry for taking this long to open this all up
for you, but now seems like the right time. Sorry for taking the decision to
walk away in a selfish manner.
Thank you SO MUCH for being part of my life.
Without you, I would never be the person I am today.